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Segunda-feira

13 de Julho de 2020

Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

Pra onde eu olho

Na esteira das nossas adaptações à quarentena, as videochamadas continuam ocupando um lugar de destaque

Na esteira das nossas adaptações à quarentena, as videochamadas continuam ocupando um lugar de destaque. Tenho conversado muito sobre a importância de todos os elementos não verbais que estão em jogo durante as videoconferências. Já conversamos inclusive aqui, sobre isso, recentemente.

Mas hoje o assunto é a conexão que estabelecemos através do olhar. É justamente por meio do olhar, que  revelamos o quanto seguros e confortáveis  estamos com o assunto e com a situação.

Leonard Mlodinov, trata essa questão do olhar em seu livro Subliminar. Ele não discute a importância do contato de olhos entre quem fala e quem ouve. Isso já está bem comprovado. Ele se ocupa em analisar o ajuste de olhar que fazemos  quando alternamos os papeis de falante e de ouvinte. E principalmente, o que isso pode significar. Pra isso, ele parte do principio de que nós não fixamos o olhar nos olhos da outra pessoa 100% do tempo. Isso seria desconfortável e perturbador.  Olhamos um pouco, desviamos um pouco, voltamos a manter olho no olho.  Ele decidiu, então,  medir a quantidade de tempo que nós desviamos o olhar durante uma conversa.

Ele propõe uma análise da quantidade de tempo que desviamos o olhar do interlocutor em duas situações: quando somos  nós que  falamos e quando estamos na condição de ouvintes.   O resultado dessa análise foi denominado por Mlodinov como  “Taxa de dominância visual”.  Se, durante uma conversa, nós desviamos o  olhar  na mesma proporção , tanto quando somos nós que falamos quanto quando estamos ouvindo a outra pessoa falar, nossa taxa de dominância visual é igual a 1, o que indica uma  dominância social relativamente alta.  Isso é comum entre as pessoas com boa autoestima, seguras e confiantes.  Por outro lado, se nós desviamos  mais o olhar quando somos nós que estamos  falando,  isso reflete uma taxa de dominância social baixa, típica entre pessoas tímidas ou inseguras.

Mas e na hora de falar nas vídeo conferencias?  Pra onde olhar? E quando tiver um grupo de pessoas na plataforma, numa reunião? A resposta é:  quando for a sua vez de falar, olhe a maior parte do tempo para a câmera, e não pra sua imagem no monitor.  Assim você vai transmitir mais segurança e confiança e ainda aumenta a chance do engajamento de quem acompanha você do outro lado da câmera. Quando você estiver ouvindo, fique a vontade para olhar para a janela onde aparece a pessoa que está falando naquele momento.

É um pequeno ajuste, mas que exige atenção e certo esforço no início. Mas que vai ter um impacto muito positivo na sua comunicação!  Boa sorte!

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