Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

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Por que temos medo de falar em público?

Conheça dicas para lidar melhor com a pressão na hora de encarar uma platéia

Nosso cérebro é impressionante. Tem uma área responsável por planejar e outra para executar. A que planeja é mais racional, gosta de métodos e processos. Analisa o passado, foca no futuro, mas o presente não é o seu forte. É a nossa mente consciente, chamada por Timothy Gallway de self 1. A área que executa gosta apenas de realizar. É intuitiva e focada apenas no momento presente. É chamada de self 2.

Ocorre que o self 1 de quem tem medo de falar em publico é extremamente “autoritário”. Planeja e quer que o self 2 execute perfeitamente. A qualquer deslize do self 2, o self 1 está lá, atento  para criticar e jogar pra baixo. É como a tradicional imagem da divisão de opiniões entre o diabinho e o anjinho, que nos acompanha desde crianças, cada qual dando um conselho.

Para driblar a severidade do self 1 e dar moral para o self 2, precisamos entender o que nos faz ter medo de falar em publico. É um processo meticuloso, mas pode se tornar mais fácil com essas três dicas. Olha só:

Reconheça: Executamos nossas ações diárias respeitando algumas rotinas. Reavalie suas rotinas  ao se preparar para uma fala em público e identifique o que costuma facilitar ou atrapalhar seu desempenho.  Organize-se para fugir das coisas que te atrapalham e crie condições para ter à mão as coisas que facilitam a tarefa. Abasteça-se com o máximo de informações sobre o assunto que  terá que falar. É muito mais fácil falarmos bem quando conhecemos bem o assunto. Não confie na memória. Tome notas, use grifos e canetas coloridas. No período que antecede sua fala, concentre-se, procurando manter o foco na mensagem principal e não nas palavras em si.

Avalie: Costumamos sofrer desnecessariamente porque supervalorizamos alguns eventos. Diante de uma situação difícil, procure manter a calma e avaliar de forma neutra o impacto dessa situação sobre sua vida. Anote os possíveis problemas e as possíveis soluções. Reavalie  a situação.

Administre:  Boca seca, respiração ofegante, voz tensa ou tremula, perda da fluência da fala, falhas de memória, fala acelerada, fala lentificada, dicção travada. Esses são apenas alguns exemplos das alterações de comunicação que podem ser desencadeadas pelas reações de estresse.  É importante que você identifique quais  dos seus parâmetros vocais mais se alteram sob estresse. Se possível, faça uma vídeo-gravação de sua conferência e avalie criteriosamente. É mais fácil manejar nossas falhas quando conseguimos identificá-las.

Lembre-se: Falar em publico sempre pressupõe  alguma mobilização fisiológica. Não é possível não ter estresse nenhum. O desafio está em descobrir a dosagem ideal, pois uma boa expressividade comunicativa sempre vem acompanhada de uma energia positiva, que é abastecida pelo processo fisiológico de estresse.

A boa notícia é que essa dosagem ideal pode ser descoberta com treino! Pratique!

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