Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

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Por quê não devemos tirar a máscara para falar

Não existe a possibilidade de falarmos sem lançar no ar pequenas gotículas de saliva

Depois do período mais crítico imposto pela pandemia, parte de nós segue ainda trabalhando remotamente e a outra parte já está de volta ao trabalho presencial. Mais de 10 milhões de pessoas já retornaram ao trabalho presencial, e esse número não para de crescer. Sem vacina nem medicamento antiviral especifico para prevenir ou tratar a Covid 19, seguir à risca os protocolos de distanciamento social e de higiene é nossa arma principal até o momento.

Nesse contexto, a orientação para  o uso  correto da máscara não está em discussão. É protocolo já bem divulgado pela mídia. Tem que ser usado, inclusive (e principalmente) no momento da fala. Mas por que não devemos tirar a máscara pra falar?  

Porque quando falamos, usamos o ar que está saindo dos nossos pulmões. Esse ar faz vibrar as nossas pregas vocais, produz o som da  nossa voz e depois, já dentro da boca, esse som se transforma em sílabas pelo movimento dos nossos lábios e língua. Alguns desses sons são soprados em pequenos jatos, como o som da letra /f/, /s/ e /x/, por exemplo. Eles são prolongados como num sopro e seguem seu curso no espaço sonoro. Outros sons como o /p/, o /t/ e o /k/, são plosivos, sendo também projetados no ar , não em jatos, mas com um impacto de uma pequena “explosão”. Todo esse processo é muito rápido e implica necessariamente em um impulso de ar que é projetado para fora. Não existe a possibilidade de falar sem lançarmos no ar pequenas gotículas de saliva. Por isso é tão essencial manter a máscara no rosto mesmo quando tivermos que falar. 

Alguns detalhes podem ajudar:

Fale com a máscara certa: Escolha um modelo de máscara que melhor se adapte   ao seu rosto. Preste atenção ao tamanho da máscara na parte que vai do nariz ate o queixo. Você deve  conseguir abrir e fechar a boca sem que a mascara se desloque. 

Fale olhando para a outra pessoa: Direcione a sua cabeça na direção dos olhos da outra pessoa, quando tiver que falar. Assim, o som da sua voz tenderá a ir diretamente para os ouvidos dela.

Fale um pouco mais alto: Aumente um pouco o volume da sua voz, principalmente se houver ruído no ambiente.

Fale um pouco mais lento: Capriche na articulação, pronunciando todas as sílabas.

Jamais deixe de usar a máscara porque precisa falar. Mas, lembre-se  também de jamais deixar de falar porque está de máscara. A comunicação nos une e conecta. E pode ser um antídoto poderoso contra sequelas de todos os tipos. 

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