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Sábado

17 de Agosto de 2019

Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

Palavras ou expressão facial: Em quem você acredita?

Certamente você daria crédito ao seu “feeling” para concluir em que acreditar. Mas de onde vem esse "feeling"?

A situação aconteceu, de verdade, com muitas pessoas e talvez tenha acontecido com você, também. Você dá um presente especial a uma pessoa querida, que educadamente agradece com o tradicional: “Obrigada, não precisava se incomodar..eu adorei!” Você observa, porém,  que a expressão facial contradiz as palavras. Você acreditaria nas palavras ou na expressão facial?  Certamente você daria crédito ao seu “feeling” e concluiria que não agradou no presente.  Mas de onde vem esse  “feeling”? 

Pois é...essa sua sensação  vem   de um canal de comunicação,  do qual a gente não tem muita consciência, mas que tem um peso enorme, maior do que o das palavras. É o chamado canal de comunicação não verbal.    Ele é responsável por todas as informações que chegam antes mesmo de começarmos a falar. Seus principais canais são  a  expressão facial, a corporal, os gestos e o  vestuário. Já o  canal de comunicação verbal é o responsável pelas palavras que escolhemos quando falamos.  Quando há uma divergência entre as palavras e as expressões faciais ou corporais, como a que ocorreu no exemplo acima, nós optamos por acreditar no não-verbal.

Isso acontece porque a  comunicação não verbal é mais primitiva. Ela não é aprendida. É  natural, intuitiva e menos elaborada, por isso tem mais credibilidade.  Já a comunicação verbal é mais elaborada, foi aprendida ao longo da vida e é mais passível de “manipulação”.    Mehrabian & Perris (1967) avaliaram o impacto desses parâmetros sobre a comunicação final e concluíram que somente 7% daquilo que falamos depende das palavras. As variações da voz são responsáveis por 38% e 55% é transmitido por meio da comunicação corporal.

Quando nós falamos, obviamente,  não pensamos nessa divisão.  Tudo ocorre de uma maneira não consciente. Mas o “casamento” entre a comunicação verbal e a  não verbal é essencial para uma boa comunicação e   pode nos  ajudar muito em  nossas relações profissionais e pessoais.   . Pra facilitar essa tarefa,  eu separei quatro dicas em campos da comunicação não verbal  que, costumeiramente, impactam bastante nossa comunicação e podem levar  a interpretações errôneas. Olha só:

Valorize o visual:  Roupa, cabelo e maquiagem devem estar de acordo como seu biotipo, idade, temperamento e ocupação profissional. Prefira roupas que melhor se adaptem a suas características pessoais e ao ambiente onde está.   

Corrija sua postura:  Uma postura ereta e tensa demais pode transmitir arrogância e pouca flexibilidade. Queixo para cima, também. Já uma postura completamente relaxada pode revelar desleixo.  Manter os pés entreabertos ou com um deles colocado a frente ajuda a   manter a estabilidade do corpo   enquanto falamos. Relaxe os ombros, mas mantenha a coluna ereta. Se tiver que falar sentado, nunca se deixe relaxar completamente na cadeira. Apóie os braços de forma confortável para ter liberdade de movimento ao se expressar.  Projete o tronco um pouco para frente e incline levemente a cabeça. Isso  facilita a empatia. Evite cruzar os braços ou  inclinar o tronco para trás, pois revelam distanciamento do assunto.

Sinta-se confortável ao caminhar: A maneira com que caminhamos também revela nosso grau de insegurança e ansiedade. Utilize passos e ritmo moderados, mantenha os ombros alinhados e os braços soltos e olhe sempre adiante, ao caminhar. Evite caminhar olhando para o chão ou para o alto.

Fique atento as suas expressões faciais; Nosso rosto é o foco principal num contato interpessoal. Costumamos dividi-lo pela metade: a superior, onde estão os olhos  e a   inferior, onde está a  boca. Mantenha o equilíbrio do tônus, evitando pontos de tensão excessiva tanto na parte superior (testa, sobrancelhas) quanto na região da boca. Evite passar as mãos sobre os lábios ou sobre o nariz. Esses gestos são freqüentemente associados à mentira e podem comprometer a credibilidade da sua fala.

Boa sorte!

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