Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

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Expressão facial de emoções, botox e máscaras

Seria indicado atenuar a função muscular do rosto com toxina botulínica, em tempos de pandemia?

As máscaras de proteção, tão importantes para enfrentar a pandemia do COVID 19, nos impõe adaptações. Depois de aprender a manuseá-las corretamente, tivemos que aprender a respirar, a falar e a expressar nossas emoções com elas.

Essa última tarefa tem se mostrado desafiadora, já que as máscaras bloqueiam a metade inferior do nosso rosto, fonte de muitas informações importantes. Veja o caso das emoções positivas, como felicidade e empatia. Elas dependem muito dessa parte inferior, que agora fica coberta. Como demonstrar alegria com o sorriso coberto? Aí entra um detalhe importantíssimo. Quando sorrimos de verdade (e não quando sorrimos para uma foto, por exemplo), além de ativar a musculatura da boca, ativamos também alguns músculos relacionados aos nossos olhos, que tendem a ficar mais espremidos. Essa é uma boa noticia pra nós que temos passado uma boa parte do dia com a boca escondida. Podemos (e devemos) demonstrar sorriso também pelos olhos!

Ocorre que essa mesma região dos olhos e da testa, também é acionada em emoções negativas, como raiva, tristeza e medo. Muitas pessoas, inclusive, passam a ter marcas de expressão nessa região e procuram dermatologistas para atenuá-las, usando o recurso da toxina botulínica.   

Aí surge o grande dilema:  Manter ou não manter o “Botox” durante a pandemia?  Com a metade inferior coberta pela máscara e a metade superior tendo a responsabilidade sozinha de expressar nossos estados e intenções, seria indicado atenuar a função muscular do rosto, em tempos de pandemia?

Um estudo recente (vale a pena a leitura completa),  se propôs a investigar essa questão e avaliar os prós e os contras de se manter a atenuação das rugas de expressão usando o recurso da Toxina Botulínica. O artigo é muito interessante, e discute com profundidade como as emoções são “contagiosas” e como a as máscaras podem aumentar a “transmissão” de emoções negativas.  Como segue indefinido o tempo em que teremos que permanecer usando máscaras, separei duas recomendações dos pesquisadores, que  me pareceram particularmente interessantes e importantes:

  1. MANTER O BOTOX  NA REGIAO ENTRE AS SOBRANCELHAS, PARA NÃO ACENTUAR A PERCEPCAO  DE  UMA EMOÇÃO NEGATIVA:  os autores do estudo defendem a manutenção do  botox na região da glabela, aquela  entre as sobrancelhas, onde costuma-se criar um vinco, geralmente associado à preocupação, à raiva ou excesso de seriedade , na opinião dos pesquisadores. O intuito é minimizar o impacto negativo que a expressão dessas emoções pode causar
  2. NÃO APLICAR BOTOX NA REGIÃO EXTERNA DOS OLHOS, PARA NÃO PERDERMOS UMA FONTE IMPORTANTE DE EXPRESSAO DE EMOCAO POSITIVA: os pesquisadores defendem que a região do canto dos olhos, ou os pés de galinha, não deveria receber botox, sob risco comprometermos seriamente nossa capacidade de expressar alegria genuína.

Interpretar mal uma expressão não é uma escolha. São muitos os fatores que contribuem para nossas interpretações.  Mas,  buscar   uma comunicação plena e  assertiva, apesar de ser uma tarefa árdua, encurta caminhos e constrói pontes de boas conexões humanas. Sempre vale a pena!

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