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Quinta-feira

9 de Julho de 2020

Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

Entendeu ou quer que eu desenhe?

Comunicação não é só o que se diz, mas também o que o outro entende

Comunicação não é o que a gente fala, mas o que o outro entende. É quando o “desenho” chega certinho ao nosso cérebro:

Toda vez que tentamos compreender e acompanhar uma narrativa ou explicação, nosso cérebro cria imagens, tentando associar o que ouvimos com as referências que temos. Dependendo da maneira como alguém nos conta uma história, construímos um “filme” na nossa cabeça que pode corresponder, ou não, à intenção original do contador.

Uri Hasson, pesquisador da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos decidiu checar se é possível mesmo que se passe “um filme na nossa cabeça”. Foi para o laboratório, e mapeou a atividade cerebral de um grupo de pessoas contando uma história e a de outro grupo ouvindo essa mesma história. Uma das conclusões que mais me fascinam nesse estudo, é a que diz que quando ouvimos uma história bem contada, nossa atividade cerebral é extremamente similar a do contador da história. É como se a atividade cerebral do contador da história fosse espelhada de forma quase idêntica no cérebro de quem ouve a história. Ou seja, o “filme” na cabeça do contador de uma hisória, chega praticamente o mesmo na cabeça da sua audiência!

Esse é uma informação ao mesmo tempo fantástica e desafiadora para todos nós. Como melhorar nossas chances de sermos compreendidos quando falamos, principalmente agora, na quarentena, quando tantos fatores podem interferir negativamente?

Em primeiro lugar, pergunte a você mesmo se o seu assunto (ou sua história) seria facilmente “desenhável” por quem te escuta. Se não for, simplifique. Em segundo lugar, fique atento aos sinais não verbais que as pessoas nos dão quando não estão entendendo o que estamos falando. Geralmente eles são bem fáceis de perceber.

E finalmente, lembre-se:

- Espere o momento certo, fale com clareza e sem pressa;

- Modele a sua fala usando referências familiares ao  seu publico;

- Não misture assuntos. Mantenha o foco apenas no  recado principal;

- Comunicação não é o que a gente fala, mas o que o outro entende. É quando o “desenho” chega certinho ao nosso cérebro.

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