Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

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Desligar a câmera durante videoconferência deixa o palestrante falando sozinho

Para quem está falando, ver apenas fotos ou duas letrinhas na sua janela é muito desconfortável

Talvez não faça muita diferença para você assistir uma apresentação remota com a sua câmera desligada. Mas para quem está falando, ver apenas fotos ou duas letrinhas na sua janela é muito desconfortável. Esse é o resumo da queixa de uma grande amiga, acostumada a dar palestras presenciais pra públicos grandes, mas que teve que se reinventar no mundo virtual. Como é muito organizada, ela já tinha todos os arquivos de PowerPoint devidamente catalogados e atualizados. O problema foi justamente a Comunicação. Como se conectar com uma foto, ou com as iniciais do nome de cada um dos presentes?  Professores em todos os níveis escolares reclamam do mesmo problema.

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Vou desafiar você: experimente explicar algo para um grupo de cinco pessoas. Qualquer coisa: qual o tipo de trabalho que você realiza, qual a viagem mais bacana que já fez, por exemplo. Mas imagine que essas cinco pessoas estarão em uma sala e você em outra sala, do outro lado do corredor. Muito estranho, não?  É realmente estranho falar, sem ter outra pessoa na nossa frente... Aliás, falar sozinho é mais que estranho. Não é natural. Essa é a razão do desconforto da minha amiga, relatado acima, e de tantos professores que tiveram que se reinventar durante a pandemia.

O ponto  é que, para quem assiste, não faz a mínima diferença manter sua câmera aberta ou fechada, já que nos dois casos, ele continuará a ver o palestrante. Já do ponto de vista do palestrante, caso todos na sala decidam fechar suas câmeras, a sensação é de estar exatamente como no desafio: sozinhos numa sala, falando para ninguém...

Desde então, temos insistido na campanha: “Liga a câmera”... E cada vez que conseguimos mais uma criatura que topa manter a câmera aberta, comemoramos. No entanto, uma pesquisa recentemente publicada nos Estados Unidos, aponta que para uma hora de videoconferência são lançados na atmosfera, de 150 a 1000g de dióxido de carbono. Alem disso, são gastos de dois a doze litros de água. Diante disso, os pesquisadores lançaram uma campanha inversa, do tipo “desligueacâmera”.  Fiquei admirada com esses resultados, mas, com todo respeito à pesquisa, e com consciência de que não tenho nenhuma autoridade no assunto, me parece que uma videoconferência com um grupo de pessoas que se deslocariam para um determinado local certamente contribuiriam negativamente para o nosso planeta.   

Esse raciocínio me traz conforto para manter minhas convicções e seguir meus princípios na área da comunicação. Mantenho erguida a bandeira do #ligaacâmera pois tenho convicção que cada câmera aberta, revela mais do que um rosto. Revela empatia e humanidade, essenciais comunicação seja em que formato for.

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