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Sexta-feira

22 de Novembro de 2019

Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

Decidir o que não falar é tão importante quanto decidir o que falar

Ser claro e ir direto ao ponto não é tarefa simples. O que fazer quanto se estudou muito, se pesquisou muito e se tem muito a dizer?

Num tempo em que  cada minuto conta muito, e onde as informações nos chegam a todo momento, apresentações intermináveis e divagantes, são um pesadelo. Tudo fica ainda mais difícil quando percebemos a falta de foco de quem fala, que muitas vezes, não sabe ele próprio definir qual é a ideia principal da sua fala. 

Ser claro e ir direto ao ponto não é tarefa simples. Principalmente, quando o conteúdo é complexo. O que fazer quanto se estudou muito, se pesquisou muito e se tem muito a dizer? 

Esse é o dilema da maioria dos conferencistas. Sobretudo, os dos TED TALKS, que  são conferências curtas, de até 18 minutos, sobre um tema interessante, geralmente conduzido por um palestrante com expertise técnica na área. Como condensar um assunto denso, sobre o qual se tem muito a falar, em apenas 18 minutos? 

Quem analisa  esse tema  com profundidade é Chris Anderson, curador dos Ted Talks desde 2002. Num de seus vídeos mais populares, ele ilustra de uma forma muito interessante, o que acontece no cérebro do palestrante e no cérebro da audiência, quando existe uma boa conexão comunicativa. 

Mas, Daniel Goleman, em seu livro Foco, destaca um outro ponto, que não opinião dele é o segredo dos bons comunicadores: a capacidade de “direcionar a atenção aonde ela precisa ir”. Para direcionar e liderar a atenção é necessário primeiro focar a própria atenção e depois, atrair e direcionar a atenção dos outros. Só que para isso, precisamos decidir o que merece o foco da nossa atenção. E quando falamos em foco, estamos falando na decisão do que queremos e, principalmente, do que não queremos.

Para ajudar nessa difícil tarefa de separar o que é relevante e o que não é relevante, eu gostaria de destacar um ponto que considero  essencial: a memória humana é limitada. Pode guardar de 7 a 9 itens, mas a média para memorização sem esforço é de 3 itens. Portanto, escolha os 3 pontos principais do seu conteúdo para aquela situação especifica, coloque holofotes sobre eles, e reserve os  conteúdos que ficaram de fora  para uma outra ocasião.

Outro ponto importante, é manter olhos e ouvidos atentos às historias do dia-a-dia. Historias já aguçavam a curiosidade dos nossos ancestrais, e estão no nosso DNA, direcionando e mantendo a nossa atenção até hoje. Então, decida sempre pela relevância de uma boa história.

Finalmente, confie na sua intuição e fique atento aos sinais dela. Tomar boas decisões sobre o que não falar e o que falar requer um alto nível de autoconsciência, que é a base da autogestão e da empatia. Não é um processo rápido nem fácil, mas vale a pena!

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