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Quarta-feira

18 de Setembro de 2019

Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

Confiança e empatia

O olhar de “cachorro sem dono” e a nossa comunicação

O olhar é um dos ingredientes mais importantes da nossa comunicação. É nosso  primeiro laço de conexão. É por meio do olhar que mães e  bebês dão os primeiros passos na comunicação. Aos poucos, esse contato de olhos vai se aprimorando e passa a haver uma compreensão mútua entre mãe e bebê.

O bebê sorri quando observa o rosto sorridente da mãe ou se assusta quando percebe uma expressão fechada. Por sua vez, a mãe aprende a compreender as sensações e reações do bebê, da mesma maneira. Esse período é essencial para pavimentar o terreno onde se estabelecerá a comunicação por palavras durante a primeira infância e durante toda a vida. O contato de olhos é essencial para estabelecer confiança e empatia, ingredientes essenciais para nossa comunicação.

O neuroeconomista americano Paul Zak tem estudado a fundo esses dois ingredientes: a empatia e a confiança. Ele  sustenta que há um importante hormônio, chamado “oxitocina”, que é responsável pelo estabelecimento da empatia e confiança. A presença da oxitocina durante o parto, a amamentação e o sexo já era conhecida, mas as pesquisas mais recentes do grupo desse pesquisador, demonstraram uma função adicional desse hormônio: a de estimular a solidariedade, a empatia e a confiança nas nossas relações sociais.

Curiosamente, empatia e confiança estão presentes também nas nossas relações com os animais. É através do olhar que estabelecemos as primeiras tentativas de contato com os animais domésticos, como cachorros por exemplo.

Uma reportagem muito interessante sobre esse tema foi apresentada recentemente, e ilustra bem a importância do olhar. A matéria demonstra como o convívio dos cachorros com os seres humanos provocou mudanças genéticas nos cachorros. O conhecido “Olhar de cachorro sem dono”, seria, na verdade, uma habilidade desenvolvida pelos cachorros, de erguer a parte interna das sobrancelhas. Essa habilidade, uma adaptação que ocorreu ao longo de anos, ocorreria com maior frequência, na presença de humanos. Os cachorros que tinham essa habilidade tinham mais chance de serem cuidados, e por consequência, de sobreviverem e procriarem.

Seja pela ação hormonal da oxitocina, seja por nossa capacidade de expressar emoções por meio da face, o olhar tem um lugar especial nas nossas relações sociais. Ainda hoje, na era da pós-tecnologia, o olhar continua sendo a porta de entrada de uma comunicação eficaz. O ‘olho no olho’ ainda precede qualquer palavra, conecta e facilita a interação.  E é ‘olho no olho’ que demonstramos confiança e geramos empatia. 

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