Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

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A mágica do número três

Apresentar as ideias de forma organizada, em listas de três elementos, auxilia quem acompanha nosso raciocínio e facilita a compreensão.

Os três porquinhos, os três mosqueteiros, os três patetas, Cachinhos Dourados e os três ursos, os três macaquinhos da sabedoria japonesa. A literatura clássica, o humor, a cultura são unânimes a respeito do poder do número três, e isso não é por acaso.

O cérebro humano tem uma capacidade limitada para processar as informações que recebemos. Ele não é um HD sem limites para arquivar todas as nossas experiências. É impossível registrar e lembrar de todas as informações que chegam até nós. Apenas parte delas fica e o restante é descartado. Então, quem decide o que fica na memória e o que vai para o “lixo”? A resposta é: impacto emocional e repetição. Lembraremos daquilo que teve um significado importante para nós ou daquelas tarefas que mais repetimos. Diante disso, como ajudar nossa audiência a lembrar do que falamos em uma apresentação? 

O primeiro passo é facilitar a chegada da informação. Isso significa que nosso conteúdo deve estar claro e bem organizado. Para essa tarefa, Carmine Gallo, pesquisador americano, nos sugere organizar nossos conteúdos em três blocos. Ele chama esse processo de “regra de três”, um dos conceitos mais poderosos da teoria da comunicação, em sua opinião. A sugestão de Gallo está ancorada na opinião de dezenas de pesquisadores contemporâneos. Eles são unânimes ao afirmarem  que a memória humana consegue guardar por um breve período, até cerca de 9 itens, mas trabalha mais facilmente com três ou quatro itens. Os ouvintes ou nossa audiência gostam quando dizemos que temos três coisas importantes, ou três conceitos inéditos, ou três fatos marcantes a relatar. Gostamos de listas e apreciamos quando nos apresentam as ideias de forma organizada, em listas de três elementos. Isso auxilia a manutenção da atenção e facilita a compreensão.

Nem sempre é fácil reduzir um conceito ou uma ideia importante em três itens apenas. Pra isso Gallo sugere o seguinte: 

BRAINSTORM: primeiro pegue uma folha em branco e liste todos os pontos-chave que  você deseja que sua plateia saiba a respeito de seu produto, serviço ou empresa.

CLASSIFICAÇÃO:  quando a lista estiver pronta, comece a agrupar os itens por similaridade, e monte-os como num organograma, de modo que você chegue a apenas três mensagens primárias,  importantes. Se você tiver pouco tempo pra falar, fica garantido que as três principais mensagens foram passadas. As demais mensagens serão derivadas dessas, e você poderá apresenta-las sempre que tiver um tempo maior de fala. 

ENRIQUECIMENTO DA MENSAGEM: Selecione histórias pessoais, vivências. exemplos, fatos e metáforas que possam ajudar a enriquecer a sua narrativa, caso a plateia te conceda ainda mais tempo para falar.

Enfim, prestar atenção ao que dizemos gera um enorme gasto energético em nossa platéia. Portanto, facilitar esse processo organizando nosso conteúdo em apenas três pedaços aumenta muito a chance de sermos compreendidos e, principalmente, lembrados. Faça o teste!

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