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Sexta-feira

18 de Outubro de 2019

Caio França

Tem 31 anos e foi reeleito deputado estadual com 162.166 votos. É advogado formado pela Universidade Católica de Santos. Foi o vereador mais votado da história de São Vicente. É presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e coordenador da Frente Parlamentar de Apoio a Baixada Santista e Vale do Ribeira.

Verdades e detalhes sobre a Ponte dos Barreiros

Situação precária da estrutura da ponte é motivo de preocupação para moradores de São Vicente

É importante um breve histórico sobre a construção da Ponte A Tribuna, popularmente conhecida como Ponte dos Barreiros e os fatos mais recentes até chegar na situação atual.

A construção da Ponte dos Barreiros ocorreu por etapas após muitas paralisações por falta de recursos. Somente em 1996 o Governo do Estado concluiu toda a obra rodoferroviária.

Atualmente, a Ponte dos Barreiros é a principal ligação da Área Continental (mais de 150 mil moradores) com a Área Insular. Os moradores utilizam diariamente para ir ao trabalho, estudar, utilizar determinados equipamentos públicos ou passear.

Não é de hoje que a estrutura da ponte está comprometida e isso fica mais evidente com a visível deterioração das estacas que a sustentam. Tenho diversos pedidos protocolados sobre o assunto e o registro de reuniões em que a Ponte dos Barreiros foi o tema principal.

Já recebi autoridades, lideranças, movimentos organizados para discutir o assunto, além das dúvidas diárias que respondo pelas redes sociais.

Inclusive, em 2015, cobrei publicamente o presidente da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) sobre o cronograma de obras equivocado do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que deveria ter iniciado pela Área Continental e esse assunto já teria sido superado, apresentado em audiência pública na Câmara Municipal de São Vicente.

Em janeiro de 2018, após muitas reivindicações, conseguimos a publicação do edital do projeto executivo da terceira fase do VLT, especificamente da reforma da Ponte dos Barreiros.

A EMTU é a contratante e a empresa Maubertec Engenharia, a responsável pelo projeto executivo que deveria ser entregue no próximo mês de agosto, no entanto, a empresa solicitou a prorrogação do prazo para dezembro. Estive pessoalmente tanto na EMTU quanto na Maubertec para explicar a necessidade do desmembramento dessa obra com a do VLT, cobrar agilidade e transmitir o apelo da população para termos um desfecho.

Depois disso, em junho do mesmo ano, o Governo do Estado contratou o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), a nosso pedido, junto da Prefeitura, para obter as reais condições da ponte. O IPT chegou a interditá-la para realização de um teste de cargas com caminhões pesados na véspera do Natal.

O laudo, mesmo que sem muitos detalhes, apontou a necessidade de fazer intervenções e que o início da obra deveria se dar em 180 dias. A Prefeitura fez a sua parte, restringindo a passagem de caminhões, colocando redutores de velocidade nas cabeceiras e ampliando a fiscalização diária no local. A obra ficará em aproximadamente R$ 20 milhões e será contratada pelo Governo do Estado, responsável pela contratação do projeto executivo.

Ocorre que o projeto executivo contratado está ligado com a terceira fase do VLT e isso ainda levará muito tempo, fator que atrasa o início de qualquer obra de recuperação. Por isso, insisto que a obra da Ponte dos Barreiros não pode esperar o VLT.

Uma reforma dessa magnitude, com reflexo direto na vida de milhares de vicentinos, é urgente e compete ao governo estadual, diante de sua capacidade financeira e orçamentária em comparação à municipalidade. Precisamos do Governo do Estado e eles sabem da importância dessa ponte para o dia a dia da comunidade do continente.

Reconheço a tentativa de ajuda do Ministério Público ao solicitar a interdição da ponte, visando a integridade física dos moradores, porém na minha avaliação esse é o tipo de decisão na qual não podem restar dúvidas e incertezas, já que a maior prejudicada é a população da Área Continental, que terá que percorrer praticamente 35 km a mais todos os dias ou enfrentar um pedágio no Humaitá para chegar ao seu destino. Em recente reunião com o MP, foi dito que se apresentarmos um novo laudo atualizado que ateste a segurança aos usuários, o pedido judicial seria retirado.

Em face dessa iminente interdição pela Justiça, nos últimos dias conversei com o vice-governador, Rodrigo Garcia e com o presidente da EMTU, Marco Assalve, para solicitar imediatamente um novo teste de cargas minucioso que ofereça segurança, principalmente aos usuários, além de pedir agilidade na conclusão do projeto executivo e na garantia de recursos para a tão esperada reforma da Ponte dos Barreiros. Foram protocolados ainda ofícios junto à Secretaria de Desenvolvimento Regional, na EMTU e junto ao gabinete do governador.

Quem conhece a história de formação da Área Continental de São Vicente, os migrantes, seu povo trabalhador, suas lutas, não pode admitir que a população seja penalizada com um possível isolamento de acesso entre a área insular e continental de São Vicente, por isto exigimos transparência e seriedade com o tema.

Não é hora de apontar culpados, nem de “surfar na pauta do momento”, mas sim de unir as forças para resolver essa situação. Acompanho cada detalhe do assunto e confio na sua solução. Diante de situações extremas, precisamos ter responsabilidade e demonstrar consistência nas ações, todo o resto só servirá para desinformar a população.

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