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Quarta-feira

5 de Agosto de 2020

Caio França

Tem 31 anos e foi reeleito deputado estadual com 162.166 votos. É advogado formado pela Universidade Católica de Santos. Foi o vereador mais votado da história de São Vicente. É presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e coordenador da Frente Parlamentar de Apoio a Baixada Santista e Vale do Ribeira.

Transporte intermunicipal tira o sono dos moradores da Área Continental

Após a reabertura da ponte, estamos diante de um novo obstáculo, já que em seu laudo o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) autorizou a abertura parcial da ponte

Há uma semana a população da Área Continental de São Vicente comemorou a reabertura da Ponte A Tribuna, também conhecida como Ponte dos Barreiros, pauta de inúmeros artigos publicados neste espaço logo que a ponte precisou ser interditada para a realização de reformas em sua estrutura, ocasião em que foi travada uma longa e desnecessária discussão sobre a responsabilidade em relação a sua reforma.

Enquanto mais de 150 mil moradores e trabalhadores sofriam o transtorno de não poder se locomover com dignidade, o governo federal, por meio do presidente Jair Bolsonaro, tomou ciência pela deputada federal Rosana Valle (PSB) da situação caótica à qual a população havia sido submetida, e, estendeu as mãos para São Vicente, assumindo a responsabilidade do governo estadual ao liberar os recursos financeiros necessários para a realização da obra através da Caixa Econômica Federal. 

Acho importante neste momento poder rememorar os fatos, sem jamais esquecer de que quem trouxe a solução definitiva para o problema foi o governo federal, independentemente de bandeira ideológica ou posição partidária. Eu estive presente em todos os momentos, inclusive na reabertura da ponte no último dia 1 (quarta-feira passada) e tive a oportunidade de compartilhar desse momento após sete meses de interdição.

No entanto, após a reabertura da ponte, estamos diante de um novo obstáculo, já que em seu laudo o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) autorizou a abertura parcial da ponte, restrita a circulação de motos, carros de passeio, utilitários, SUV’s, camionetes e micro-ônibus. Nesta primeira fase foi entregue a reforma emergencial no valor de R$ 5.767.831,91, por meio da recuperação de 52 estacas, uma longarina e três travessas.

Por outro lado, o parecer técnico da empresa PHD Engenharia diz que a ponte está apta a receber o tráfego de veículos de até dois eixos, com peso bruto total (massa do veículo + carga) de até 8 toneladas por eixo (peso bruto total de 16 toneladas) e com velocidade limitada de 40 km/h, nas duas faixas de tráfego. 

Dessa forma, a Prefeitura de São Vicente está empenhada em reunir documentos e solicitar uma remodelagem nos cálculos pelo IPT para checar a viabilidade de utilização da ponte para ônibus de até 2 eixos, com peso bruto total de 16 toneladas, considerando peso dianteiro de até 6 toneladas e eixo traseiro com até 10 toneladas, reforçando que a soma dos 2 eixos não ultrapasse as 16 toneladas, ou seja, peso máximo indicado no laudo técnico apresentado pelo próprio IPT.

Assim, diante da manutenção do impedimento do trânsito de veículos pesados nesta primeira fase e até que tenhamos uma definição quanto ao novo cálculo solicitado pela Prefeitura ao IPT, solicitando a liberação dos ônibus intermunicipais na ponte, fiz uma indicação ao governo estadual para que se adote providências em caráter de urgência na substituição da frota de veículos que realizam o itinerário na área continental por micro-ônibus, na proporção de dois micro-ônibus para cada ônibus, de forma a garantir o acesso ao transporte público, tendo em vista o transtorno já vivido recentemente pela interdição.

A questão é que do jeito que está não dá pra ficar. Os moradores que precisam do transporte intermunicipal, administrados pelo Governo Estadual através da EMTU, estão tendo que pegar três ônibus para chegar ao destino final. Um ônibus para chegar até o início da Av. Angelina Pretty, um micro-ônibus para atravessar a ponte e outro ônibus para chegar ao destino final, normalmente em Santos. 

Idosos, gestantes, pessoas com deficiência e crianças estão tendo que passar por toda essa dificuldade diariamente, sendo que a ponte já foi reaberta para os demais veículos. Além do transtorno de pegar três conduções, a superlotação dos ônibus ainda traz o risco de contágio iminente do novo Coronavírus.
O transporte municipal já está adaptado e a Prefeitura colocou micro-ônibus em todas as linhas. Agora precisamos que a EMTU resolva essa situação para que os moradores possam voltar a ter a sua rotina normalizada. Enquanto isso não acontecer, ainda não podemos nos dar por satisfeitos, mesmo com a reabertura da Ponte dos Barreiros, afinal a maioria da população depende exclusivamente do transporte público.

Terça-feira (7) o governador anunciou a autorização para o início das obras da segunda fase do VLT (trajeto Conselheiro Nébias/Valongo, em Santos), um projeto de quase R$ 218 milhões. Não é possível que São Vicente não possa ser contemplada com ao menos essa solução para o transporte intermunicipal.

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