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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Caio França

Tem 31 anos e foi reeleito deputado estadual com 162.166 votos. É advogado formado pela Universidade Católica de Santos. Foi o vereador mais votado da história de São Vicente. É presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e coordenador da Frente Parlamentar de Apoio a Baixada Santista e Vale do Ribeira.

Retomada econômica envolve crédito, confiança e sensatez

Saber que as marcas estarão ao seu lado em momentos difíceis e instáveis é também excelente forma de se fazer lembrar, fidelizar clientes

Conversava com um amigo na semana passada que me relatava o desejo de trocar de automóvel assim que a pandemia terminasse, já que a tentativa de substituição perdurava, no mínimo, há uns três anos, desde que o seu carro saiu da garantia. Porém, não houve sucesso diante da baixa valorização de seu usado e do alto custo dos automóveis 0 Km.

Em sua avaliação, este talvez fosse o momento oportuno diante da situação de crise econômica instalada no País, que já refletia no setor automobilístico com montadoras enfrentando dificuldades em manter empregos e queda de vendas nas concessionárias, que recentemente puderam reabrir suas lojas neste processo de retomada das atividades.

Esta semana voltamos a conversar e ele me relatou que ao procurar por algumas concessionárias, foi surpreendido pelas estratégias de ‘merchandising’ adotadas neste período por grande parte das marcas, mas que só serviam para atrair a atenção do cliente, já que não configuravam um bom custo-benefício, frustrando completamente a sua expectativa de compra. São as velhas promessas de compre agora e comece a pagar daqui a 12 meses, que configuram, na verdade, uma estratégia de venda muito atraente, entretanto, ilusória, que não convence um consumidor mais atento e disposto a fazer contas.

Diante da expectativa frustrada do meu colega, fiquei refletindo o quanto o mercado precisa evoluir e adotar um novo comportamento diante de uma crise sem precedentes como a que vivemos hoje. Essas grandes montadoras, que demonstram solidariedade por meio de doações às comunidades carentes nestes tempos de pandemia, fazendo valer o senso de responsabilidade social, devem também respeito ao consumidor na ponta e adequação à realidade econômica do País.

Saber que as marcas estarão ao seu lado em momentos difíceis e instáveis é também excelente forma de se fazer lembrar, fidelizar clientes, tocar o coração e a mente das pessoas. Situação semelhante, também, temos acompanhado em relação à situação do crédito represado para as micro e pequenas empresas, que respondem por 55% dos empregos formais do País, num momento em que elas mais precisam de apoio dos bancos públicos e privados.

Estamos iniciando a flexibilização da quarentena após 90 dias de confinamento, e até agora o acesso ao crédito é extremamente limitado, para não dizer pífio. O setor acumula diversos pedidos de auxílio negados desde o início da pandemia da Covid-19. Dos 38% dos pequenos empresários que buscaram crédito nesse período, só 14% tiveram o pedido aprovado pelas instituições financeiras.

Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Sebrae, em parceria com a FGV (Fundação Getúlio Vargas), e apontam que 63% dos negócios que pediram crédito nas últimas semanas recorreram aos bancos públicos, e somente 9% dos pedidos feitos a essas instituições foram aprovados até agora.

De acordo com o estudo, 59% dos 17,2 milhões dos pequenos empresários brasileiros precisarão de crédito para conseguir manter seus negócios funcionando, tendo em vista que 44% desses negócios permaneceram fechados durante a pandemia.  Segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o setor recebeu apenas R$ 31 bilhões dos R$ 378 bilhões de crédito que foram liberados por novos financiamentos desde o início da pandemia no Brasil.

No final de maio, já em meio ao caos instalado, o Governo Federal lançou o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que dá 100% de garantia às instituições financeiras por meio do Fundo Garantidor de Operações (FGO), com recursos do Tesouro. Assegurar risco zero aos bancos foi a única forma encontrada pelo governo para ampliar o crédito às micros e pequenas empresas.

O Governo do Estado de São Paulo também precisa ampliar sua participação nesse processo de recuperação econômica, inclusive desburocratizando os pedidos feitos no Banco do Povo ou Desenvolve SP. Já apresentei, inclusive, um projetivo indicativo nesse sentido. As empresas paulistas precisarão de capital de giro para continuar funcionando nesta fase pós-pandemia, e devem ter acesso às linhas de crédito com condições especiais e juros baixos ofertado pelo governo estadual, seja por meio de bancos ou por suas agências de fomento e desenvolvimento.

Por fim, o processo de retomada econômica demanda esforço conjunto, tanto de incentivos por parte do poder público quanto de iniciativas da própria sociedade, no sentido de resgatar a confiança na força de trabalho do povo paulista, que já deu inúmeras demonstrações de reinvenção ao longo da história e, por outro lado, de bom senso nas relações comerciais que possam envolver uma simples troca de carro ou uma renegociação de aluguel. O equilíbrio é a chave para o nosso sucesso.

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