Caio França

Tem 32 anos e foi reeleito deputado estadual com 162.166 votos. É advogado formado pela Universidade Católica de Santos. Foi o vereador mais votado da história de São Vicente. É presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e coordenador da Frente Parlamentar de Apoio a Baixada Santista e Vale do Ribeira.

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Retomada às aulas: a vida em primeiro lugar!

Estamos diante de um desafio imenso, de um tema que não admite o certo ou o errado, mas o possível

A pauta mais comentada nos últimos dias tem sido a possibilidade do retorno às aulas pelas redes pública e privada de ensino no próximo mês de setembro. O tema, que divide opiniões entre os próprios especialistas da área da Saúde e da Educação, nos motivou a realizar uma live na última segunda-feira (3), visando debater os diversos lados que envolvem o assunto.

O fato que me parece lógico é que nunca haverá consenso quando estamos tratando do nosso bem mais precioso que é a vida dos nossos filhos, aqui eu me incluo não somente como parlamentar, mas como pai da Laura, de 3 anos. Não haverá unanimidade e a justificativa me parece muito clara: a doença ainda nos atemoriza pela ausência de informações claras e seguras, por suas mais variadas facetas e mutações.

Ainda que com todo o esforço de médicos, cientistas e pesquisadores no estudo do comportamento, da incidência, dos sintomas e efeitos colaterais da Covid-19, a pandemia do novo Coronavírus, que vem sendo estudada há oito meses, ainda apresenta muitas dúvidas até porque a intensidade da sua manifestação no organismo humano está diretamente ligada ao estado de saúde das pessoas, as comorbidades existentes e a resistência do sistema imunológico de cada um.

A evolução assustadora e repentina em alguns quadros clínicos mais raros evidencia o quanto o vírus pode ser traiçoeiro e fatal, portanto, diante da ausência de tantas respostas que a medicina e a ciência ainda não foram capazes de responder e que talvez não sejam em um curto espaço de tempo, é natural a insegurança dos pais e o instinto desejo de proteção aos seus filhos.

E a questão aqui não envolve apenas as crianças, cuja estatística denota uma incidência extremamente baixa do vírus. O que está em questão aqui é a comunidade escolar que abrange diretores, coordenadores, professores, agentes de organização escolar, limpeza, departamento administrativo, zeladoria, pais, alunos, tios, avôs, ou seja, pessoas de faixas etárias altamente diversificadas que mantêm e manterão contato permanente com crianças e adolescentes a partir de um possível retomada.

Se estivéssemos limitados aos alunos já seria uma responsabilidade gigantesca, já que embora não pertençam ao grupo de risco, são frágeis, com sistema imunológico em desenvolvimento. No entanto, estamos falando de uma fatia muito maior da população, pessoas que ao retornarem aos seus postos de trabalho estarão sujeitas à infecção e retransmissão da doença em todo o ambiente escolar e familiar.

São situações que eventualmente podem fugir dos planos de controle e protocolo sanitário de distanciamento implantado pelas escolas já que devemos considerar o deslocamento dessas pessoas, locais de moradia e o contato com outras pessoas de seu relacionamento pessoal.

Estamos diante de um desafio imenso, de um tema que não admite o certo ou o errado, mas o possível. Temos que respeitar todas as opiniões e posições, sem pré-julgamentos, inclusive porque estamos diante de realidades e classes sociais bem diferentes. Para alguns pais e mães a dificuldade de ter alguém que possa ficar com o filho é um entrave muito grande e o retorno dos filhos à escola se torna vital para que eles também retomem às suas atividades diárias e garantam o sustento familiar.

Por outro lado, os pais que defendem a continuidade do ensino à distância devem também ter  os seus motivos pessoais, alguns inclusive devem passar por problemas de saúde da própria criança ou dos irmãos, de convívio permanente com pessoas do grupo de risco e certamente seus filhos têm essa possibilidade de ficar em casa e em segurança.

Acredito que em ambos os casos, a vida será sempre a prioridade, portanto estando ou não na escola, devemos continuar fazendo a nossa parte na adoção de todos as medidas sanitárias e cuidados básicos no combate à Covid-19.

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