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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Caio França

Tem 31 anos e foi reeleito deputado estadual com 162.166 votos. É advogado formado pela Universidade Católica de Santos. Foi o vereador mais votado da história de São Vicente. É presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e coordenador da Frente Parlamentar de Apoio a Baixada Santista e Vale do Ribeira.

Baixada Santista precisa voltar a crescer

Consumo está fraco devido ao elevado desemprego. Sem renda, não há poder de compra

A crise econômica ainda gera reflexos fortíssimos na Baixada Santista. Na última semana, em editorial do jornal A Tribuna, acompanhei que o potencial de consumo da região havia caído em comparação ao ano anterior, especialmente em Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão. A equação parece simples: o consumo está fraco devido ao elevado desemprego. Sem renda, não há poder de compra.

No entanto, o que mais chama a atenção é a diminuição do poder aquisitivo da classe média santista entre 2018 e 2019. Tal constatação vai de encontro às informações de um estudo recente divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), denominado ‘Under Pressure: The Squeezed Middle Class’ (Sob Pressão: A Classe Média Espremida), que analisou dados dos 36 países mais desenvolvidos do mundo, que congregam a instituição, e de países emergentes como Brasil e África do Sul.

De acordo com o relatório, a classe média está endividada, fato atribuído ao aumento do custo de vida e a estagnação da renda, o que resulta na desaceleração do consumo e da economia. Esse cenário é preocupante, tendo em vista que especialistas do setor financeiro asseguram que uma classe média próspera e estável é essencial para o desenvolvimento de qualquer economia.

O estudo relata, ainda, que de 1980 para cá, a influência da classe média como centro gravitacional da economia diminuiu muito. Há três décadas, a renda conjunta deste setor era quatro vezes maior que a dos mais ricos, mas hoje representa menos de três vezes. O encolhimento está diretamente relacionado à sua entrada no trabalho autônomo e informal, com jornadas parciais.

Se está difícil para a classe média, imagine para a população de baixa renda, que depende do salário mínimo para sobreviver. A verdade é que as dificuldades estão por toda parte. Basta ir ao supermercado, à feira, ao açougue e à padaria pra sentir na pele. Isto sem contar as demais despesas com educação, saúde, habitação e vestuário, entre outras. O dinheiro parece estar se esvaindo.

As propostas da OCDE para ajudar a classe média a se reerguer em todo o mundo são perfeitamente aplicáveis ao Brasil, e a que mais chama atenção é tornar o sistema tributário mais justo, tendo em vista que o grupo não se beneficia do crescimento na mesma proporção em que contribui, gerando um grande desequilíbrio socioeconômico.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o choque que pode tirar a economia desse ciclo vicioso deve vir das expectativas, isto é, do aumento da confiança, começando pelo equacionamento do problema fiscal.

A Região Metropolitana da Baixada Santista pode e deve voltar a ocupar destaque na economia estadual. Concentramos aqui o maior porto da América Latina, o complexo industrial em Cubatão e a sede da Petrobras. As promessas são inúmeras, e as perspectivas de desenvolvimento são muito otimistas com a implantação do aeroporto em Guarujá, a construção da ponte ligando as cidades de Santos e Guarujá, o Complexo Andaraguá, em Praia Grande, as obras da Nova Entrada de Santos, a expansão do pré-sal.

Chega de falar de crise e ficar olhando para trás. Vamos trabalhar pelo desenvolvimento de políticas públicas que possibilitem uma vida digna a todo cidadão, independente de sua classe social. O Brasil não pode esperar mais. É preciso seguir em frente, rever a rota, abandonar ideias retrógradas, ultrapassadas e projetos sem relevância e penetração. O Brasil precisa de projetos inovadores e transformadores, que permitam diminuir a desigualdade social.

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