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Sexta-feira

18 de Outubro de 2019

Caio França

Tem 31 anos e foi reeleito deputado estadual com 162.166 votos. É advogado formado pela Universidade Católica de Santos. Foi o vereador mais votado da história de São Vicente. É presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e coordenador da Frente Parlamentar de Apoio a Baixada Santista e Vale do Ribeira.

A prática rumo ao lixo zero

Programa Lixo Zero consiste em integrar a educação ambiental com a dinâmica diária de descarte correto dos vários tipos de resíduos oriundos da atividade laboral de todos os colaboradores do órgão

Como presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), conheci o Protocolo Lixo Zero, pelas mãos do consultor, auditor e biólogo Fábio Nunes, desenvolvido pelo ILZB (Instituto Lixo Zero Brasil), uma organização da sociedade civil autônoma, sem fins lucrativos, pioneira na disseminação do conceito Lixo Zero no Brasil.

Fundado em 2010, o ILZB representa no Brasil a ZWIA – Zero Waste International Alliance (Aliança Internacional Lixo Zero), movimento internacional de organizações que desenvolvem o conceito e princípios Lixo Zero no Mundo.

O conceito também vem sendo extremamente difundido, com ações bem sucedidas, pelo embaixador do ILZB em Santos e presidente da Associação Santos Lixo Zero, André Tomé Coelho Lourenço, que encerra hoje na Unifesp, às 18h30, um encontro que debateu durante o início desta semana a diminuição do consumo e produção de lixo, o incentivo ao aproveitamento de recicláveis e orgânicos, educação ambiental, práticas sustentáveis, entre outros temas.

Em junho deste ano, durante as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, os deputados membros da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável aprovaram o encaminhamento do projeto Protocolo Lixo Zero para apreciação da mesa diretora da Alesp, na qual segue tramitando.

O programa consiste em integrar a educação ambiental com a dinâmica diária de descarte correto dos vários tipos de resíduos oriundos da atividade laboral de todos os colaboradores do órgão, em sintonia com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei Federal nº 12.305/2010, que preconiza a responsabilidade compartilhada.

A ideia é criar soluções customizadas por meio do desenvolvimento de um plano de trabalho colaborativo e coletivo, com monitoramento das ações e resultados. De acordo com o escopo do projeto, a logística programada visa minimizar os custos ecológicos para destinação dos insumos da cadeia produtiva, por meio do encaminhamento dos materiais recicláveis para as cooperativas, tratamento dos resíduos orgânicos, por compostagem e biodigestão, bem como destinação final dos rejeitos.

A Assembleia Legislativa possui mais de três mil funcionários, e precisa se modernizar em relação às práticas sustentáveis visando a diminuição dos impactos ao meio ambiente com a adoção de medidas simples como a extinção de copos descartáveis, economia de papel, água e energia, investimentos em reciclagem, utilização de equipamentos econômicos, entre outros.

O objetivo é que a Alesp adote um protocolo com a finalidade de reduzir a produção de lixo, implante um sistema de reutilização de água, entre outras iniciativas. Algumas ações podem ser implementadas a curto, médio e longo prazos.

A curto prazo, o projeto prevê a mudança da relação das pessoas com os resíduos, subvertendo a lógica do lixo e criando consciência ambiental, o aumento do volume de materiais reciclados e redução do volume de rejeito destinado ao aterro sanitário e o compromisso ético com a sustentabilidade. Atividades rotineiras, que a partir de uma mudança de visão e comportamento, podem gerar impactos imediatos para que se possa atingir os objetivos e metas ao longo do tempo.

Essa jornada rumo ao lixo zero, em especial dentro de uma instituição de grandes proporções como a Alesp, precisa ter um ponto de partida, deve ser coletiva e monitorada. Ações isoladas e individualizadas são importantes, mas insuficientes quando pretendemos desenvolver um trabalho amplo, integrado, eficaz e eficiente de redução, com monitoramento de metas e indicadores.

Importante que o poder público possa servir como referência e modelo para a sociedade no que compete às boas práticas de sustentabilidade ao demonstrar o seu comprometimento com a responsabilidade socioambiental, garantindo assim maior legitimidade na edição de leis e análise de proposições que deliberem sobre o assunto.

O primeiro passo foi dado pela Comissão de Meio Ambiente diante da avaliação de urgência sobre o tema. Agora é necessário que a Alesp assuma o compromisso com o conceito e metodologia para que possamos um dia receber a tão sonhada certificação lixo zero.

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