Arminda Augusto

É jornalista formada pela UniSantos, trabalha em A Tribuna há 24 anos e há cinco está como editora-chefe. Como repórter, cobria os setores de Educação e Meio Ambiente. Foi também professora universitária por dois anos.

Acesse todos os textos anteriores deste colunista

Que vergonha, senhor candidato!

Impedir a realização de pesquisa eleitoral é analfabetismo político

O tempo vai passando, a sociedade vai mudando e a dinâmica da vida vai nos fazendo acreditar que algumas situações jamais ocorrerão nos tempos modernos. Ilusão!

Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços

Dos capítulos da história do Brasil em que aprendemos o significado do termo “voto de cabresto” à famosa “rachadinha” nos legislativos País afora, nunca imaginei ser possível que candidatos a vereador e a prefeito pudessem gastar tempo, dinheiro e energia colocando seu batalhão de asseclas atrás de pesquisadores em campo, no exato momento em que coletam dados para aferir a preferência do eleitorado com vistas ao pleito que se aproxima.

Este jornal recebeu dezenas de fotos, vídeos e trocas de mensagens em que os tais cabos eleitorais, em Itanhaém, se armam atrás dos pesquisadores, tiram a camisa do candidato e passam dezenas de vezes em frente às equipes de pesquisadores do IPAT, na esperança de serem abordados por eles.

Qualquer nome definiria a pessoa que se sujeita a esse tipo de comportamento, dos adjetivos mais diplomáticos aos mais rasos. Mas talvez o que melhor caiba seja ‘analfabeto político’. De todos os municípios da Baixada Santista, Itanhaém vai figurar na história política como a única cidade da região em que dados de uma pesquisa eleitoral não foram divulgadas porque meia dúzia de analfabetos políticos se submeteram a papel tão vil, tão subserviente, tão baixo quanto dos candidatos que os orientaram a seguir por esse caminho.

A Tribuna tem a tradição de contemplar toda a região em períodos eleitorais e agora, imersa em uma cobertura multiplataforma, cumpre seu papel de ir além do noticiário cotidiano, abrindo espaço para o debate de ideias, divulgação mais completa de planos de governo, defesa de conceitos disruptivos, manifestações dos contraditórios. Pesquisas eleitorais são parte desse enredo. Menos para Itanhaém, cuja população não merecia ser privada dessa forma. Especialistas dizem que a nossa democracia é ainda muito jovem, que a democracia brasileira engatinha diante de tanto aprendizado que virá pela frente. Pode ser. Pode ser, sim. Mas algumas posturas falam menos de democracia e mais, muito mais, de educação e, principalmente, de respeito. Respeito pelo coletivo.

Os episódios verificados na última quarta-feira servem para dezenas de análises. Uma delas é bastante clara: é preciso ampliar os espaços de educação política e cidadania. É preciso garantir que os eleitores conheçam seus candidatos para além dos santinhos que recebem nas esquinas e dos jingles que ouvem na rádio. Se esses que assediam pesquisadores na rua, na esperança de verem seus nomes na lista, agem dessa maneira, imagina-se o que farão a partir de 1 ode janeiro, quando eventualmente assumirem uma vaga no Executivo ou Legislativo.

Que as urnas deem a resposta que merecem!

Tudo sobre:
 
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.