Arminda Augusto

É jornalista formada pela UniSantos, trabalha em A Tribuna há 24 anos e há cinco está como editora-chefe. Como repórter, cobria os setores de Educação e Meio Ambiente. Foi também professora universitária por dois anos

Após quase 30 anos de jornalismo, Solange Freitas será candidata à Prefeitura de São Vicente

Figura conhecida da TV Tribuna, afiliada da TV Globo, jornalista concorrerá ao executivo vicentino pelo PSDB

Quase 30 anos de jornalismo, levantando problemas, ouvindo pessoas, contando histórias, denunciando o mau uso do dinheiro público, fazendo cobranças às autoridades. Esse é o breve currículo de uma das jornalistas mais conhecidas e admiradas da região. Solange Freitas, que por tantas vezes entrou em rede nacional cobrindo a Baixada Santista pela TV Tribuna/Rede Globo, agora deixa de apontar os problemas para, ela mesma, quem sabe, poder resolvê-los. A jornalista se desligou da TV Tribuna esta semana e anunciou sua pré-candidatura a prefeita de São Vicente, pelo PSDB. Abaixo, um pouco de sua trajetória, seus planos e estratégias na nova jornada.

Quinze anos de TV Tribuna?

Faria em outubro. Mas eu comecei na TV Litoral em 91, depois TV Brasil por sete anos, depois na Band, depois Tri TV e só depois, em 2005, pra TV Tribuna.

 

E além de jornalista, você também já é quase uma advogada, é isso?

Estou no último ano de Direito. E as pessoas me perguntam de onde vem esse gás. Eu digo que não sei (risos). Na TV Tribuna eu acordava às 4 da manhã porque começava às 5, mas ia dormir mais de meia-noite por causa da faculdade. Todo dia, todo dia. 

 

E de onde vem o gás, afinal?

Eu também não sei, mas tudo que eu faço é de uma forma feliz. Eu não deixo os problemas me abaterem. Sempre faço as coisas com vontade, animada, sempre tive esse pique. E nunca deixei de sair com os meus amigos mesmo com essa jornada de trabalho e faculdade.

 

E nesses quase 15 anos de jornalismo na TV Tribuna, você foi crescendo e ficando cada vez mais em evidência. A que você atribui essa ascensão, esse crescimento e a proximidade grande com o público?

Quando eu entrei aqui já tinha um time de jornalistas muito bons, com bastante destaque e que sempre entravam na rede. Eu acho que meu crescimento foi se dando de forma natural, na medida em que comecei a abraçar algumas brigas pela comunidade, pela população. E eu sempre tive muito espaço aqui na TV, sempre confiaram muito no meu trabalho, desde o início. Começou com o mensalinho, no Guarujá, lembra? E foi natural esse caminho. Com o tempo, essa leva de jornalistas mais antigos foi saindo, e só fiquei eu. E eu gostava muito de abraçar essas causas populares, de briga pela população, e isso acabou me projetando. É algo que gosto muito de fazer. Foi sempre isso que me moveu, todos os dias. Foi muito gratificante. Acho que estava no auge da minha carreira. E agora que eu estou saindo, que os editores da Globo de São Paulo e do Rio estão sabendo, todos estão me ligando, desejando boa sorte nesse novo caminho. Esse retorno é muito bom. Eu sabia que as pessoas gostavam do meu trabalho, mas o que elas estão me dizendo, puxa, isso não tem preço, não vai ser apagado. É o legado que estou deixando. Isso é o que me dá força para entrar nesse mundo diferente, desafiador.

 

Se desses quase 15 anos você tivesse que destacar umas três grandes causas ou coberturas que fez, quais seriam?

Infelizmente, foram de tragédias. No Vale do Ribeira, quando o rio subiu, eu fui para Itaoca, 3 mil moradores, 26 mortos, um bairro inteiro dizimado. Foi uma semana cobrindo essa tragédia e mostrando todos os problemas daquele lugar. A gente conseguiu que o Estado olhasse para aquela gente e resolvesse a maioria dos problemas. E São Vicente também me marcou, porque era a cidade com mais problemas. Quantas enchentes, falta de pavimentação, saúde deficiente... E que acabou culminando nessa última questão, que é a Ponte dos Barreiros. Uma comunidade inteira ficou isolada por falta do poder público mais uma vez. Isso foi tão marcante pra mim que o meu TCC na conclusão do Direito será a ponte. Eu estou estudando isso pra saber de quem é a responsabilidade.

 

Você agora está deixando de ser aquela que aponta os problemas para ser a que tem que resolvê-los. Você não tem medo de “ser vidraça”?

Imagina só, eu agora vou ser cobrada, inclusive pelos meus adversários políticos. Coragem não me falta. Eu estou tendo coragem para deixar a minha carreira sólida, onde sou querida pelo público, para enfrentar o outro lado, sem saber o que vai acontecer, sabendo que vou virar vidraça. Tenho também honestidade, muita garra. Além disso, eu e minha equipe estamos conversando com especialistas, moradores. Estou também vendo com o Mourão (Alberto Mourão) como ele resolveu alguns problemas semelhantes lá em Praia Grande, porque posso tentar aplicar em São Vicente.

 

E por que São Vicente?

Veja, eu me sinto meio metropolitana, mas São Vicente é uma cidade com muitos problemas, é onde tem a população menos ouvida pelo Poder Público e porque tenho uma identidade com essa cidade. Casei lá, tive meu filho lá, a primeira sede da TV Tribuna foi lá, tenho muitos amigos em São Vicente. Então, tudo a ver com São Vicente.

 

E por que PSDB?

Vários partidos me convidaram, mas eu escolhi o PSDB porque, caso eu seja eleita, vou precisar do apoio do Governo do Estado. Sem esse apoio, difícil São Vicente conseguir crescer. Uma das condições para aceitar esse desafio foi ter a certeza de que, depois, eles vão me ajudar. E eu já fui ao Governo do Estado, apresentei projetos, e tive deles a promessa de apoio. E eu vou fazer meu governo com honestidade.

 

E como você pretende lidar com os cargos depois da eleição?

A gente vai ter uma cidade inteira pra preencher de cargos. Só que precisarão ser pessoas capacitadas para eles. Podem até ser indicados pelos partidos que nos apoiarem, mas têm que ter qualidade técnica.

 

Qual foi a reação da sua família, seu filho, seus amigos, quando você falou que sairia do jornalismo para se candidatar a prefeita?

Há um ano, se alguém me consultasse sobre isso, eu diria que não, que não seria louca de fazer isso... nunca tive essa vontade. Faz dois anos que o Higor (Higor Ferreira, presidente do PSDB em São Vicente) falava isso e eu sempre brigava com ele, falava pra ele parar de espalhar isso porque as pessoas estavam acreditando. No final, isso foi vindo de maneira natural. Quando eu falei em casa, todos foram contra. Todos! Mas mesmo assim, falei: eu vou. E agora que eu anunciei, é impressionante, mas a reação de apoio tem sido incrível! Quando eu mostro que estou indo com coragem, garra e determinação, nossa... recebo tanto carinho e apoio, que me impressiona. Eu não quero ser política. Quero ser uma pessoa que batalha pela comunidade, pelas pessoas, ouvir a população. É o que a gente faz como jornalista, ouvir a população.

 

E por que candidatar-se a prefeita e não começar como vereadora? Não seria um caminho mais natural?

Porque eu sempre fui muito combativa, de fazer cobranças mesmo, e aí fiquei pensando: será que no Legislativo vou conseguir fazer alguma coisa pelas pessoas, pela comunidade? Então, pensei, se vou entrar nisso tem que ser para ajudar de fato, junto com pessoas que acreditam que é possível, pessoas que venham comigo e acreditem também. Se não fosse assim, acho que ficaria frustrada.

 

Na eventualidade de você não ser eleita, qual o passo seguinte?

Uma coisa de cada vez (risos). Eu preciso passar por essa experiência. Sei que eleição é eleição, pode acontecer de tudo, até nem ter eleição. A experiência que eu vou ter, durante a campanha, já vai estar valendo para a minha vida. Se eu não vencer, já falei para a equipe, vamos continuar batalhando, vamos buscar outras coisas pra fazer e continuar ajudando a comunidade.

 

Tantos anos na rua, como jornalista, você não vai sentir falta disso?

A gente sempre sente saudades das coisas boas que vive. Esses 15 anos de TV Tribuna foram maravilhosos. Fiz tudo que eu queria. A Família Santini, o Edu (Eduardo Silva, diretor de Jornalismo da emissora), todos confiavam em mim. Nunca houve interferência.

 

Você tem algum medo nesse caminho novo que vai seguir?

Medo a gente sempre tem. Tenho medo pela minha família, pelos ataques que possam vir a sofrer, as fake news. Tem gente que não vê você como adversário político, vê como inimigo, e ataca você com muitas fake news. Eu falo pra todos da minha equipe: a gente não vai responder a fake news nas redes sociais. Vamos responder na Justiça. Já temos uma equipe jurídica que vai acompanhar isso daqui por diante.

 

Qual político te inspira?

Adelino Rodrigues. Tantos anos como vereador em Santos... por ele eu ponho minha mão no fogo, é honesto. Eu me espelho nele. É um exemplo de político honesto. Eu queria muito que as pessoas acreditassem que eu não vou perder minha honestidade nem meu caráter. Quero que elas tenham certeza disso. Eu prefiro perder a eleição a perder esses meus valores. Quero que acreditem nisso. É isso que eu vou levar na vida, seja na política ou no jornalismo.

Solange Freitas ficou na TV Tribuna por quase 15 anos, cobrindo os mais importantes episódios e notícias da Baixada Santista (Foto: Alexsander Ferraz/AT)
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