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Quinta-feira

23 de Maio de 2019

Ângela Cotrofe

É neuropsicopedagoga.

Meu filho é autista?

É necessário bem orientar a população quanto à não banalização do autismo

Hoje, mais do que nunca, impõe-se uma discussão sobre o cotidiano familiar e o (im)possível controle dos eletrônicos no meio das crianças, jovens e adultos.

A partir da compreensão de que somos um todo indivisível e relacional, posicionamo-nos seres integrais, repetimos o modelo social que temos como referência porque parece único e imutável.

Tomemos por exemplo a crença comum de que a maioria dos filhos não escuta aos seus pais, estão sempre distantes. Repetem-se as frases:

- Tenho que falar mil vezes! Acho que ele é um pouco ‘autistinha’, tenho dúvida do comportamento do meu filho etc.

Nesse quadro, é recorrente observar que a criança ou o adolescente, fazendo a escuta da fala dos pais, não raras vezes, frustra-se por sentir-se rotulado pelos próprios pais que aprendeu a confiar.

É necessário bem orientar a população quanto à não banalização do autismo.

O autista é integrante de um grupo de crianças com alterações comportamentais, principalmente identificados pelo isolamento. Essa característica associada ao aspecto social aparece muito cedo.

Outra característica perceptível no autista é a regressão na linguagem e no comportamento.

Portanto, reflita, se esse é o caso do seu filho.

Penso que o nível elevado de ansiedade nos pais gera muito sofrimento nos filhos.

Percebo que este tipo de reação melhora quando os pais procuram ajuda de especialistas para orientá-los, proporcionando uma rotina adequada para o enfrentamento das dificuldades que, porventura, estejam vivenciando no cotidiano com os filhos.

A meu ver, as manifestações dessas perturbações variam muito em função do nível de desenvolvimento e da idade cronológica do filho nas três áreas do desenvolvimento: interação social, comunicação e comportamento.

Para terminar, quero chamar atenção para a melhor observação das crianças.

Rogo pela escuta das crianças e adolescentes no dia a dia.

Muitas vezes, os filhos estão apenas tentando compartilhar suas necessidades e ainda não adquiriram um vocabulário completo para expressar o que sentem.

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