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Quinta-feira

18 de Julho de 2019

Ângela Cotrofe

É neuropsicopedagoga.

A Creche e a criança

Gostaria de trazer um olhar que se faz necessário: privilegiar o parceiro mais competente que existe em cada um de nós

Quando pensamos em creche, logo nos vem à mente qualquer tema relacionado a cuidados de rotina, atenção particular e coletiva para proporcionar bem-estar às crianças. Sem dúvida, é a criança o particular interesse, o objetivo de uma creche. Uma pergunta, porém, continua a nos instigar: o que mais fazer numa creche, além de proporcionar a quem a frequenta um ambiente prazeroso, uma assistência psicossocial digna e equipe cumpridora de seus deveres máximos?

Gostaria de aqui trazer um olhar que se faz necessário: privilegiar o parceiro mais competente que existe em cada um de nós.

Sabe-se que, ainda hoje, se pratica o assim chamado “assistencialismo” nas creches. Cabe-nos assim ressaltar que não se trata de uma cumplicidade e/ou negligência daqueles que praticam tal assistência, mas, sim, do desconhecimento das inúmeras funções possíveis dos papéis cognitivos, afetivos e sociais desempenhados pela creche como instituição ao longo do tempo. Quando falo de assistencialismo, leia-se qualquer tipo de assistência desde a médica até institucional. Não quero dizer com isso, não serem válidos atendimentos, seja eles de caráter sanitário, nutricional, psicológico ou pedagógico, e indispensáveis ao bom funcionamento das instituições desse âmbito.

O que se torna questionável é a falta de metodologias e planejamento, execução e discussão de dados. Assim, fundir teoria e prática levaria à elaboração de novas metas de ensino-aprendizagem. Não se pode negar que o assistencialismo existe. Contudo, é necessário esquivar-se de ausência de objetivos e metas a serem atingidas tendo em vista as crianças que frequentam essas creches e estão carentes de sua essência e, inclusive, não entendem serem os pais substituídos por outros indivíduos, até então desconhecidos.

Considero que o funcionário da creche é muito significativo para a criança dentro do mundo que a rodeia, principalmente quando este acesso se dá entre três meses e os três anos, idade considerada relevante no que tange à internalização e formação de significados simbólicos nessa fase da vida. Logo, é de extrema responsabilidade tudo o que se diz, pensa, sente e faz em relação à criança.

Promover interações sociais de aprendizagem para crianças, e de forma mais rica, faz-se mister.

Mas, sobretudo privilegiar o processo mais competente que existe em cada um de nós. Parceiro esse que simboliza o nosso eu interno e mais profundo, temeroso, e assombrado diante de novo conhecimento que, em realidade, somos nós em essência, estaremos nos permitindo ingressar no mundo do outro, oportunizando a verdadeira interação nessa parceria, nesse caso, a criança.

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