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Sábado

11 de Julho de 2020

Ângela Cotrofe

É neuropsicopedagoga.

A construção da escrita

Todas as crianças beneficiam-se com o auxílio de um interlocutor nas questões de focalização, sequencialidade, aceitabilidade e consistência de seus textos

Todas as crianças - algumas mais, outras menos - beneficiam-se com o auxílio de um interlocutor nas questões de focalização, sequencialidade, aceitabilidade e consistência de seus textos. Tendo em vista a complexibilidade do código escrito, é preciso considerar que a passagem do discurso interior e/ou fala para o texto escrito, é um processo extremamente difícil para a maior parte dos alunos.

De um modo geral, as práticas escolares tornam ainda mais penosa esta tarefa. As ênfases atribuídas às normas gramaticais e à convenção ortográfica, assim como a falta de significado nas tarefas de escrita, só torna mais árdua para à criança a composição de um texto.

A partir da valorização do espaço individualizado de revisão da produção escrita, na qual a interlocução professor-aluno / aluno-professor desempenha um papel fundamental no sentido de auxiliar a criança a reelaborar seu texto nas primeiras séries do Ensino Fundamental, a construção do pensamento organizado viabiliza-se e pode até chegar a ser prazerosa.

Sabe-se que o apoio teórico dessa atividade pode ser condensado nas praticas pedagógicas que promovem a elaboração da escrita através de situações significativas e interativas entre professor e alunos, despertando forças motivadoras para explicitar suas formas de discurso escrito, uma vez que a língua e concretiza nas relações sociais.

Precisamos melhorar nossa visão como educadores nas rotinas escolares, em que os alunos se restringem a produção escrita a um ato solitário, o que podem agravar as possíveis dificuldades das crianças.

Se, na vida adulta, a leitura e a escrita são atividades solitárias e silenciosas; na infância, ler e escrever envolve uma intensa atividade social da criança, tanto com o professor, como com os companheiros.

A troca de experiência em torno do texto escrito desperta nos alunos a sensação de autoria e, consequentemente, a internalização do leitor virtual. Nesse sentido, dá-se destaque ao processo, e não ao produto da escrita, incentivando os alunos a elaborar esboços, trocar ideias com o professor e companheiros, revisar, refletir e reescrever o texto.

Neste meu discurso ao leitor, busco mostrar os tipos de atividades desenvolvidas e as estratégias utilizadas para seu efetivo funcionamento.

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