Alexandre Volpe

Acadêmico do sexto ano do curso de Medicina da Universidade Metropolitana de Santos. Foi Diretor do Comitê de Saúde Pública da International Federation of Medical Students Brazil - Comitê Unimes e, atualmente, é Coordenador da Comissão de Saúde Pública e Ação Social do NJE da Ciesp Santos, Membro do Lide Futuro Santos e Presidente do Centro Acadêmico Dr. José Martins Fontes (C.A.M.F.) e da Liga Acadêmica de Medicina Legal.

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Médicas recém-formadas contam experiência e os desafios no combate contra a Covid-19

Profissionais de saúde vêm trabalhando incansavelmente na linha de frente no combate ao Covid-19

O Brasil ultrapassou a marca de 118 mil mortes pela Covid-19, com 970 novos óbitos registrados nas últimas 24 horas. Desde o início da pandemia foram 118.726 mortes, e um total de 3.764.493 infectados, de acordo com informações do consórcio de veículos de comunicação, até 27 de agosto de 2020.

Diversos profissionais de saúde vêm trabalhando incansavelmente na linha de frente no combate ao Covid-19. A coluna conversou com duas médicas recém-formadas que optaram por trabalhar em hospitais de campanha. Muitos desafios, medo, insegurança, tristezas e alegrias foram relatados de forma tocante.

Dra. Giovana Pascoal, formada em 2019 , que venceu o câncer de mama durante sua graduação, se emocionou ao relatar mais uma luta que viveu durante esses meses.

“Desde abril, veio a possibilidade de trabalhar na linha de frente em hospitais de campanha e enfermarias de Covid 19, até então eu havia trabalhado em pronto socorro geral e enfermaria geral. Mas, eu não neguei a experiência, nem menos queria me “ver fora dessa”, sabia que mesmo eu que havia formado em outubro de 2019, teria muito a fazer, e muito mais a aprender com tudo isso".

"Eu vi tantas coisas, passei por experiências pessoais, como perder minha avó sem direito a todo ritual de passagem, assim como na minha família, muitas outras famílias passaram por isso, família de colegas de profissão, as famílias das pessoas que estavam ali internadas também".

"No começo, foi bastante assustador, a evolução da doença assustava tanto quanto se alastrava, alguns pacientes evoluíam gravemente em tão pouco que tempo que assustava até os colegas mais experientes. Com o tempo, fomos aprendendo a manejar as coisas, mais protocolos foram se instalando, fomos ficando mais consciente de que estávamos indo no caminho certo, e percorremos esse caminho que era o certo".

"Com certeza, foi uma experiência única e fundamental na minha carreira médica. Aprendi o quanto tudo pode mudar, vi olhos me pedindo ajuda pra respirar ansiosamente, vi vidas findarem inexplicavelmente, vi casos graves evoluírem tão bem que minha fé só aumentou".

"Valeu a pena? Se valeu! Faria tudo de novo! Mas acho, que todos já estamos cansados dessa pandemia, importante lembrar que ainda precisamos de manter isolamento e máscara porque os casos não acabaram, seguimos vivendo isolados e trabalhando”, destaca a médica Dra. Giovana Pascoal.

Outra médica recém-formada que também trabalhou na linha de frente, no Hospital de Campanha do munícipio  do Guarujá, foi a Dra. Dinah Fernandes, que descreveu emocionada toda a força de trabalhar em uma das maiores pandemias da história.

“Lembro de quando fui chamada para trabalhar no Hospital de Campanha contra o Coronavírus. O medo, a insegurança.. tudo tomou conta. Eu estava na luta contra o inimigo invisível. "Eu sou capaz?", e logo vinha a resposta "Seria covardia não enfrentar." E assim, vesti minha "armadura" e fui. Deixei de ver minha família para cuidar de pacientes que ficaram isolados das suas. Arrisquei a minha saúde para cuidar daqueles que precisavam de mim. Enfrentando o desconhecido, nós da linha de frente buscávamos o melhor protocolo para manejo dos pacientes".

"A doença quebrou todos os "padrões de gravidade" e atingia todas as faixas etárias. Vimos pacientes evoluírem mal de uma forma súbita, e o número de mortes crescendo nos assustava cada dia mais. E além de cuidar, eu também estive "do outro lado", fui de médica a paciente, e pude compreender o que cada paciente sentia; além de me isolar completamente de todos ao meu redor".

"Tivemos momentos muito difíceis. Contudo, não ne arrependo de ter enfrentado tudo isso. Felizmente, presenciei melhoras significativas e muitas altas - as quais esperávamos com anseio.. e declarávamos como "mais uma vitória!" Aprendi a sorrir com os olhos, a tocar com as palavras. A ser família de quem mal me conhecia".O Covid-19 chegou para ensinar a todos! E aqui, fica o meu pedido: cuidem-se! Protejam-se! E que não baixemos a guarda, a luta não acabou”, relata a médica Dra. Dinah Fernandes.

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