Alexandre Volpe

Acadêmico do sexto ano do curso de Medicina da Universidade Metropolitana de Santos. Foi Diretor do Comitê de Saúde Pública da International Federation of Medical Students Brazil - Comitê Unimes e, atualmente, é Coordenador da Comissão de Saúde Pública e Ação Social do NJE da Ciesp Santos, Membro do Lide Futuro Santos e Presidente do Centro Acadêmico Dr. José Martins Fontes (C.A.M.F.) e da Liga Acadêmica de Medicina Legal.

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177 mil mortos, milhares de desempregados e o Brasil sem um comandante

Número de mortos equivale a 950 quedas de aviões A320 lotados

O Brasil atinge a marca de 177 mil mortos pela Covid-19, segundo o consórcio de imprensa. Só no estado de São Paulo, a marca atingiu mais de 43 mil óbitos. O número de casos voltou a subir disparadamente, e o que vemos, é uma guerra política.

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De um lado a maior autoridade do País debochando e ignorando a ciência, sem um planejamento e uma negociação para vacinas, de outro uma organização cada vez mais polêmica - muitas vezes um palanque político - e no meio disso tudo, centenas de jovens irresponsáveis fazendo festas clandestinas, sem qualquer regra ou protocolo contra a doença. Um verdadeiro descaso com os mortos, seus familiares, comerciantes, empresários, profissionais de saúde e sistema de saúde. 

Muito se fala de fechar ou abrir o comércio, mas o que vemos é uma falta de fiscalização e bom senso da população. É um absurdo esses jovens reunirem centenas de pessoas em espaços fechados, sem uso de máscaras, colocando em risco a população e aumentando a rapidez de contágio. 

É fato que o Brasil não vive uma segunda onda da pandemia, e sim repique da primeira onda. Essas aglomerações estão colocando em risco a vida das pessoas, o número de leitos disponíveis, medidas restritivas que poderão levar ao fechamento do comércio, e aumentam ainda mais o número de desempregados, além de colocar em risco a própria vida.

Não é justo com as pessoas que estão se preservando, como empresário que está lutando para manter seu comércio e os profissionais de saúde que estão trabalhando incansavelmente na linha de frente. 

O jovem tem uma perspectiva que nada acontecerá com ele, mas a disseminação do vírus está colocando em risco todo o trabalho já realizado, além de vidas. A média de mortos voltou a subir, as unidades de terapia intensiva já estão beirando o colapso em algumas unidades de saúde do país, e a omissão de certas autoridades mostra que estamos numa verdadeira guerra sem previsão de término. 

O número de mortos já virou rotina, não impressiona mais, mas quando convertido para tragédias que chocam o país, vemos o tamanho dessa catástrofe. Quando ocorre uma tragédia com um avião, o Brasil para pela comoção, mas a COVID-19 já matou o equivalente a 950 quedas de aviões A320 lotados. 

Sem dúvidas, a pandemia é uma das maiores tragédias do século. Mas o que vemos? Um mega descontrole, sendo que a maior autoridade do País nem se quer usa máscara ou tenta executar um plano de vacinação assim como o Reino Unido e diversos outros países já estão planejando. 

Chegou a hora da população pensar melhor na atual situação e sem dúvidas precisamos de uma fiscalização com punições severas para essas pessoas que estão colocando em risco milhares de brasileiros. Os seus parentes não podem pagar ou sofrerem riscos por irresponsabilidade dos outros. É tão difícil o “comandante” do país prestar atenção e tentar agregar na solução da pandemia? É tão difícil entender que não estamos em uma corrida presidencial e os palanques e polêmicas envolvendo a vacina é prejudicial aos brasileiros, não só os “brasileiros de São Paulo”? Ou as autoridades tomam jeito e a população coloque a mão na consciência, ou viveremos assim por muito tempo. 

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