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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Alexandre Lopes

É Editor-Chefe de Web no Grupo Tribuna e responsável pelo G1 no litoral de São Paulo. No grupo desde 2008, já participou de coberturas em mais de 15 países. Atualmente, além de coordenar os portais, também apresenta o G1 em 1 Minuto e é comentarista da TRI FM.

Como perdi 1h31min da minha vida...

Com direção de Brie Larson, 'Unicorn Store' (Loja de Unicórnios) não tem, na minha visão, absolutamente nenhum sentido

ALERTA DE SPOILER!!!

Brie Larson é, definitivamente, uma atriz brilhante. Aos 29 anos, a norte-america já acumula, por exemplo, um Oscar de Melhor Atriz pelo filme 'Room'. Apesar disso, Larson ficou realmente conhecida do público em geral por conta do papel de Capitã Marvel e o consequente anúncio de sua participação de Vingadores: Ultimato, um dos filmes mais esperados do ano.

O que pouca gente sabe, porém, é que Larson se aventurou como Diretora, dois anos antes de Capitão Marvel, em 'Unicorn Store' (Loja de Unicórnios). O filme acabou de chegar ao Netflix e, na esperança de ver mais um grandíssimo trabalho da atriz, acabei perdendo 1h31 da minha existência nesse planeta. Não exatamente pelo filme ser ruim. Mas, por na minha visão, não ter absolutamente nenhum sentido.

Um bom filme não precisa ser explicado por sites especializados. É necessário que o telespectador saia do sofá e desligue a TV tendo entendido, pelo menos parcialmente, o que se passa na história. Em Loja de Unicórnios, Brie Larson é uma garota que fracassou na escola de artes e aceita um emprego em um escritório de publicidade. Paralelamente, ela corre contra o tempo e cumpre metas para, veja só: Adotar um Unicórnio.

Pelo elenco, é inevitável que qualquer pessoa desatenta comece a assistir o filme sem pensar. Afinal, dois monstros do cinema fazem parte do longa. Além de Brie, Samuel L. Jackson (O Nick Fury, de Capitã Marvel) tenta dar algum sentido para a história. É Jackson, aliás, o responsável por entregar o tal do Unicórnio para a personagem de Brie, a jovem, antissocial e atrapalhada Kit.

Durante essa interminável 1h31min, Kit mostra o quanto é esquisita (andando pela casa cheia de glitter nos pés!), sua péssima relação com os pais, sua fobia social, é assediada por um patrão um tanto quanto bizarro e chega até a fazer uma apresentação sem pé nem cabeça (e cheia de glitter novamente) sobre um aspirador de pó que promete trazer a infância de volta para as donas de casa. Paralelamente, ela encontra, entre uma cena e outra, o vendedor de unicórnios interpretado por Jackson.

Se existe uma mensagem que o filme tenta passar, e nem passa tão bem assim, é sobre amadurecimento. A jovem, que sempre sonhou com o bendito unicórnio, dispensa o animal na 'Hora H'. No fim das contas, a 'Peter Pan' dos tempos modernos quebra todos os laços com a infância e, finalmente, se sente pronta para encarar a vida que até pode ser colorida, mas com muitos tons de cinza.

Dá pra recuperar essa 1h31min?

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