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Quinta-feira

18 de Julho de 2019

Alexandre Lopes

É Editor-Chefe de Web no Grupo Tribuna e responsável pelo G1 no litoral de São Paulo. No grupo desde 2008, já participou de coberturas em mais de 15 países. Atualmente, além de coordenar os portais, também apresenta o G1 em 1 Minuto e é comentarista da TRI FM.

Caso Kauani: Perplexidade e impotência

Menina, de seis anos, foi brutalmente assassinada em Mongaguá após uma festa; ninguém aguenta mais viver em um país onde reina a impunidade

A Baixada Santista voltou a ser notícia no Brasil inteiro. E, infelizmente, mais uma vez, não por fatos positivos. Mais do que perplexidade, o assassinato da pequena Kauani Cristhiny Soares Rodrigues, de seis anos, é acompanhado por uma onda de impotência que, cada vez mais, assola nossa sociedade.

Kauani foi brutalmente assassinada em Mongaguá após uma festa. A menina dormia, na própria casa, quando foi retirada do local, a princípio sem que ninguém soubesse, e levada para uma vala, a poucos metros, onde foi esganada até a morte por um desconhecido. A hipótese de estupro não foi descartada.

Na mesma proporção que um ser-humano pode ser bom, outros podem ser doentios ao ponto de atacarem uma criança sem qualquer capacidade de defesa. O motivo alegado pelo marginal, segundo a polícia, foi uma vingança por conta de uma discussão causada pelo excesso de bebida. Vingança? Contra uma criança de seis anos?

A morte de Kauani, como tantas outras que ocorrem diariamente na Baixada Santista, no Brasil e no Mundo, poderia ter sido evitada. O assassino já havia estuprado pelo menos duas pessoas nos últimos anos, de acordo com informações da polícia, e, mesmo assim, andava solto por aí, contando as horas para cometer outra brutalidade.

Ninguém aguenta mais viver em um país onde reina a impunidade. Quantas Kauani's precisam ser vítimas de psicopatas como esse de Mongaguá para que as autoridades abram os olhos, de fato, e encarem a segurança de uma forma mais coerente? Não dá mais para fecharmos os olhos e acompanharmos o massacre de milhares de brasileiros.

Vivemos, no Brasil, as nossas guerras particulares. Lutamos dia a dia contra a miséria, contra o tráfico, contra a impunidade, contra a corrupção e contra uma dezena de outras coisas. Hoje, acredito, não há país mais perdedor do que o nosso. Não conseguimos ganhar nenhuma.

Em 2004, a Associação Brasileira de Anunciantes lançou a campanha "Eu sou brasileiro e não desisto nunca". O objetivo era resgatar os níveis de auto-estima do brasileiro que, na ocasião, segundo a ABA, estava em baixa. Ronaldo e Herbert Vianna foram os garotos propagandas da ação. Se em 2004 a nossa auto-estima estava baixa, como ela está hoje?

Torcemos por tempos melhores. Afinal, somos brasileiros e não desistimos nunca...

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