Santa Maria é pequeno, pacato e muito tradicional em Santos

Bairro preserva ares de interior, como se fosse uma grande família morando no mesmo local

Pequeno e com cara de interior. Assim definem os moradores sobre o bairro Santa Maria, pedacinho da Zona Noroeste de Santos. Ele fica colado no Bom Retiro, perto do Jardim Botânico Chico Mendes e também da Avenida Nossa Senhora de Fátima. Tem o velho problema de enchente, que já tá melhor que antes, segundo os mais antigos.

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O bairro com nome “religioso” não tem nada de milagre na história. Tem muita luta, dos próprios moradores, que foram loteando o espaço, que antes era só mangue e tinha bem mais área, pegando um pedaço do Chico de Paula até o Saboó. Até hoje, há quem se confunda até onde ele vai por isso. O Jardim Botânico Chico Mendes, hoje, é a referência de quem mora ali para diferenciá-lo do Bom Retiro, outro com ares de interior. 

Mas no Santa Maria é casa mesmo. Tanto, que o primeiro personagem desta Reportagem, o seu Cândido, tava batendo papo no portão de casa quando começou a contar que cresceu no bairro. 

Cândido José Francisco, de 69 anos, tem 65 de Santa Maria. Viu o bairro crescer junto com ele, as casas sendo construídas e o clima sendo mantido. “É um bairro bom de se morar. Tem os problemas de sempre, como as enchentes, que até melhoraram, mas ainda acontecem”, diz ele.

Os moradores são como família. Todo mundo se junta quando precisa de algo. O ponto de ônibus que tem quase na frente de sua casa, na Rua Maria Patrícia, tá novinho, mas bem diferente de antigamente. 

Tudo porque haviam assaltos frequentes naquele espaço. Cândido conta que certa vez as pessoas fugiram e correram para os fundos de sua casa. O bandido entrou apontando arma. “Horrível”, lembra.

No dia seguinte, ele resolveu cortar um pano branco e escrever uma mensagem pedindo pelo amor de Deus que parassem de assaltar. O pedido virou Reportagem. “Saiu no Expresso”, recorda ele, mencionando o extinto Expresso Popular. 

Depois disto, a segurança foi melhorando. O ponto se modernizou, hoje é bem melhor. 

Lazer

Presidente da Sociedade de Melhoramentos do Santa Maria, Alcides Pereira da Fonseca, o Cidão, de 70 anos, diz que o bairro manteve sua vocação residencial, mas foi esquecido no quesito lazer. Sente falta de praças com atividades para os idosos que, segundo ele, são maioria por ali. Para os vovôs e vovós fica só a obrigação de cuidar dos netos ou sobra “depressão” aos que vivem sozinhos.

“Falta um equipamento como para atividades físicas, sabe? Ou até algum centro de atividades”, diz ele, que, com a sede do espaço fechado, não oferece mais atividades como pintura e ginástica, que tinham na Sociedade.

“Mas, no geral, eu gosto muito. Acho que é um bairro muito residencial, com bastante árvores pelas ruas. Isso ainda é raro em Santos”, diz.

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