Estuário, lugar de muitas histórias de Santos

Antes da reordenação, a área do bairro era imensa: com a divisão, nasceu o Macuco; quem mora, não quer sair

Até hoje há quem confunda onde começa o Estuário e acaba o Macuco. Antes da nova configuração dos bairros, feita no fim dos anos 1960, a área de um dos mais tradicionais pedaços de chão de Santos era enorme. O traçado é o seguinte: começa na Siqueira Campos (Canal 4) e, margeado pela Avenida Perimetral (antiga Portuária), segue sendo cortado pela Avenida Afonso Pena, até depois do Canal 7. 

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Quem é mais antigo no bairro vive feliz e não abre mão de morar por ali, pela facilidade. Dizem que nem parece o bairro cheio de mato e chácaras que era no início dos anos de 1960.

Não havia asfalto e as crianças brincavam na rua quando a faxineira Sandra Aparecida Teixeira Silva, de 56 anos, mudou para o Estuário, há 51 anos. Ela lembra que brincava na rua e cresceu vendo o bairro se desenvolver. “Eu gosto muito. Acho que é fácil de localizar e tem tudo que preciso perto, fazendo com que eu nem precise me locomover muito”, afirma ela. 

A maioria dos moradores da Rua Particular Marambaia está ali há bastante tempo. É também o caso da esteticista Edith Soares Rocha, de 54 anos. Apesar de ter retornado ao local há pouco tempo, cresceu no Estuário, na região próxima ao Canal 5. 

“Eu gosto, é tranquilo. Acho que pode melhorar um pouco a segurança perto do canal. Mas é um bairro bom, sim”, conta ela, que é vizinha e amiga de Sandra na ruazinha sem saída no meio do bairro. 

Pacato

Cercado pelo Estuário que dá nome ao bairro e a Bacia do Macuco, a região é um xodó que a dona Zuleica Rocha, de 65 anos, não abre mão. Ela conta que o clima familiar entre os vizinhos é fundamental para viver bem pelo bairro e conta que a calmaria, misturada às facilidades a fazem não querer sair. “Tem farmácia, supermercado, restaurantes. E fora que é perto de tudo, dá para chegar no Centro rapidinho, na Ponta da Praia. É ótimo morar aqui”.

Nem parece que o bairro está cercado pela antiga Portuária e seus caminhões, os contêineres para cima e para baixo que dão um ar meio industrial à região. Aliás, essa paisagem se contrasta com as casinhas mais antigas do Estuário. O bairro as conserva, sendo raros os prédios maiores, como acontece do outro lado da Avenida Afonso Pena, no Aparecida, onde os edifícios já tomaram conta do bairro. 

“Acho que o Estuário conserva o que é de bairro antigo, residencial, mas com as facilidades de um centro, porque a oferta de comércios é grande”, diz Suelen Christine, de 34 anos, que mora lá desde pequena. 

Ela diz que não viu tantas diferenças de quando era pequena e só lamenta que o bairro tenha se tornado inseguro ao longo do tempo nas proximidades dos Canais. “Mas isso não é suficiente para que eu queira mudar. Esse bairro é ótimo e pretendo continuar morando aqui”.

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