Brechó em Santos tem de brinquedos colecionáveis a itens raros

Cheio de histórias, o proprietário Paulo Fernando Patrício diz que comprar e vender os objetos se tornou "viciante" na Vila Mathias

Avenida Campos Salles, 144, Vila Mathias, em Santos. É impossível passar pelo endereço sem reparar nos bonecos heróicos que ficam na frente do casebre. Também dá para ver alguns eletrodomésticos antigos e peças de coleção. O fato é que tem de tudo um pouco no Breshopim, que funciona ali há quatro anos, sob comando de Paulo Fernando Patrício, de 58.

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Ele conta que, há cerca de 15 anos, descobriu que poderia ganhar mais dinheiro com a compra e venda dos objetos antigos que consertando geladeiras, fogões e máquinas de lavar. Mas frisa que a profissão do coração foi também a responsável por iniciá-lo no que, brincando, hoje ele chama de “vício”.

Patrício negociou um conserto de geladeira com uma parte do pagamento em dinheiro e outra na forma de uma estátua de pinguim. Segundo o técnico, o objeto valia pelo menos R$ 150,00. E como sabia do valor? “Eu também fazia alguns serviços de ferro-velho, como motorista, e já tinha visto gente negociando objetos antigos. Tive essa sacada”.

Após recolher outros eletrodomésticos, ele juntou os objetos e se surpreendeu ao vendê-los rapidamente. “E aí, quando você percebe, já está com um monte de coisa. É viciante”. No brechó, há desde bonequinhos, os preferidos dos homens e colecionadores, a objetos de decoração, como um abajur do ano 1800 que trabalha com um carrilhão para ligar e tem um lampião. O valor? R$ 2.500,00, item mais caro da loja.

Também há lustres do século 19 e muitas estátuas antigas, enviadas de diversos lugares do País e do mundo. “As pessoas me trazem coisas direto aqui. E achei dezenas interessantes”, conta ele, enquanto compra uma máquina de costura antiga. Enquanto a Reportagem esteve na Vila Mathias, um vendedor, que preferiu não se identificar, trouxe uma máquina de costura de 40 anos atrás.

Sem apego

Também apareceu um cliente curioso, colecionador de relógios. Não quis falar muito, mas procura modelos para guardar. Patrício, por outro lado, garante que não é apegado a nada que tenha ali, mesmo com tantos anos de história.

“Não tem nada que eu não venda. Claro, há coisas que eu tenho um carinho mais especial”, diz ele, enquanto aponta a um quadro de vidro com um painel de um carro da década de 1960. “Eu reconstruí e pintei a moldura, depois fiz o quadro. Parece simples, mas é uma das peças que eu mais gosto”.

Assim como o quadro, que é exclusivo, Patrício diz ter itens mais novos hoje em dia para atender a um novo público. Mas eles são poucos, porque quem para por ali quer saber mesmo é das relíquias.

E tem mesmo muita coisa, como espadas, carros em miniatura, discos, cartões telefônicos, máquinas fotográficas, liquidificadores, conjuntos de louças, óculos, quadros, jogos infantis, telefones... “E quando você começa a trabalhar com isso passa a ter muitos contatos, vai conhecendo gente. É algo muito interessante”.

Hoje, Patrício mora no mesmo imóvel da loja. Dessa forma, vive o espaço que mudou a forma de trabalhar e também garantiu uma renda. Mas, segundo ele, o melhor é ver como as pessoas ficam ao entrar lá. “Fiz de propósito. Você entra na loja, recupera alguma memória e, provavelmente, vai achar algum objeto que tinha na sua casa, nos tempos de infância”.

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