Bom Retiro: tá no nome a avaliação que os moradores fazem do bairro santista

Surgido no fim da década de 1950, local preserva clima familiar e mantém morador ilustre: o Jardim Botânico

Enquanto veem-se, cada vez mais, um crescimento para cima nos bairros da Zona Leste, na Zona Noroeste ter uma casa para chamar de sua ainda é uma realidade. 

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No Bom Retiro, a harmonia do nome condiz com a realidade, ainda que as reclamações quanto à segurança sejam unanimidade. Mas, no mais, o “bom” do nome se traduz na convivência pacífica entre vizinhos, o asfalto na rua e o morador ilustre mais admirado: o Jardim Botânico. 

O bairro surgiu no fim da década de 1950. Na região, o Morro do Ilhéu (também conhecido por Palmeiras, Boa Vista e Bom Retiro), à beira do calmo Rio São Jorge, predominava até que os sócios de uma imobiliária, chamada Bom Retiro, resolveram transformar a região. Sobre o antigo mangue, os loteamentos foram surgindo, interessando principalmente os trabalhadores portuários. 

Espaço verde

Admirado por todos, o “Chicão”, nome carinhoso do Jardim Botânico Municipal Chico Mendes, reaberto desde 1º de setembro, é uma das alegrias dos moradores. 

Nesses tempos de pandemia, é onde o pessoal do Bom Retiro tem se refugiado para, literalmente, respirar. “Ah, é gostoso. A gente sente até um alívio”, diz Paulo Rogério, de 49 anos, trabalhador da área de segurança. 

Rogério nasceu próximo dali, no Areia Branca, mas ficou só pouca parte da infância. Aos nove anos foi para o Bom Retiro, onde as ruas nem asfaltadas eram ainda. No vizinho Santa Maria, dava para brincar na rua (ou na lama).

Hoje, quatro décadas depois, ele avalia positivamente morar no bairro, que foi evoluindo com o tempo. “As pessoas se conhecem. Há boa parte que ainda mora aqui e uma nova geração chegando, o que também é muito bom. Não tenho do que reclamar”, diz.

A evolução da qual se refere também fala Paulo Rogério passa por algumas obras. No limite do bairro, sobre o Rio São Jorge, há uma ponte que liga o bairro ao São Manoel, na outra margem, além de uma rotatória, que foram entregues neste ano.

Mudanças

Moradora da Zona Noroeste há 40 anos e há 15 numa casa da Rua Comandante Bulcão Vianna, Marta Santana, 62, conversa sobre a evolução do bairro enquanto recebe da amiga, Jocelia Xavier, algumas compras. 

A amizade de mais de 31 anos se traduz em gentileza em plena pandemia. Por ser do grupo de risco, Jocelia ajuda a amiga levando as compras na porta de sua casa. Por uma boa causa, a autônoma sai do Rádio Clube para lá. Mas garante que não é incômodo algum. A prosa no portão vale para, também, matar as saudades da amiga.

“A Zona Noroeste por si só foi evoluindo aos poucos. Mas eu gosto daqui, é um bairro residencial, longe da agitação da praia”, diz dona Marta.

No quesito segurança, diz que não confia tanto e, ao longo do tempo, as coisas foram piorando. É a mesma opinião de Paulo Rogério. 

“Infelizmente, não dá mais para marcar bobeira. Se eu disser que é um bairro totalmente seguro estou mentindo. Mas é bom de se morar, sim”, conta, sorrindo, dona Marta.

 

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