FISHERMEN’S TERMINAL IMPRESSIONOU POR ALIAR ATIVIDADES PESQUEIRAS AO PORTO (Alexandre Lopes) Ser o porto mais verde da América do Norte, zerar a emissão de carbono até 2050 e aliar crescimento e sustentabilidade nas operações. Esses são os principais objetivos do Porto de Seattle, nos Estados Unidos. Nesta terça-feira (27), a comitiva liderada pelo Grupo Tribuna na Missão Internacional Porto & Mar 2025 esteve na sede da Autoridade Portuária local, trocou experiências com autoridades e entendeu os planos audaciosos de um dos portos mais importantes da costa oeste americana. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Diversos representantes do Porto de Seattle fizeram apresentações para autoridades e empresários brasileiros. Foram abordados diferentes setores do complexo portuário, que figura entre os dez maiores dos Estados Unidos, e também respondidas diversas perguntas da comitiva. A questão ambiental chamou a atenção. Além da emissão zero até 2050, outros pontos foram elencados, como a restauração da linha costeira, a redução de ruídos embaixo d'água e a implementação de projetos de carbono azul. A intenção de Seattle é se tornar um 'hub' nos Estados Unidos em transporte com emissão zero de carbono. Isso passa por uma preparação diferenciada para as operações e uma infraestrutura mais sustentável e resiliente, com foco em saúde e prosperidade às comunidades próximas ao porto, de acordo com as exposições feitas pelos representantes da Autoridade Portuária aos integrantes da comitiva. “O primeiro dia de nossa agenda foi recheado de muito conteúdo e aprendizado a respeito dos planos em Seattle. Além da questão da sustentabilidade, que chamou atenção de todos os presentes, as autoridades falaram sobre tecnologia, operações, cruzeiros marítimos e a relação do porto com a cidade. Fomos muito bem recebidos pela Northwest Seaport Alliance (gestora dos portos de Seattle e Tacoma), com acesso a informações estratégicas”, pontuou o consultor para assuntos portuários do Grupo Tribuna, Maxwell Rodrigues. Terminal pesqueiro Antes da visita à Autoridade Portuária local, a agenda de ontem teve início no Fishermen’s Terminal, um dos mais tradicionais pontos de pesca da costa do Pacífico, que hoje serve também como exemplo de convivência entre a atividade pesqueira tradicional e a modernização urbana e logística. O terminal é um símbolo da herança marítima de Seattle, abrigando embarcações de pesca comercial e oferecendo infraestrutura moderna para apoiar a indústria pesqueira. No Fishermen’s, também houve uma apresentação sobre a Washington Maritime Blue, organização que atua como polo de inovação e sustentabilidade no setor marítimo. Aliança estratégica sem fins lucrativos sediada em Seattle e dedicada a impulsionar a inovação e a sustentabilidade no setor marítimo, a Washington Maritime Blue reúne indústria, poder público, academia e comunidades para promover um setor marítimo próspero e sustentável até 2050. Ontem, o trabalho dela foi apresentado à Missão Internacional Porto & Mar 2025. O cluster trabalha com soluções para descarbonização portuária e enfrentamento de desafios urgentes em relação aos oceanos. A entidade apresentou cases de transição energética aplicados a portos e terminais, reforçando a sinergia entre tecnologia, meio ambiente e competitividade logística. Joshua Berger, presidente da Washington Maritime Blue, explicou que o setor marítimo local representa US\$ 45 bilhões – há dez anos, o total era de US\$ 35 bilhões. Dessa forma, é um dos mais diversos dos Estados Unidos. Como exemplo, foi citado que a região, ao mesmo tempo, abriga um dos maiores terminais de contêineres dos EUA, gerencia a maior pescaria sustentável de captura selvagem do mundo e sedia o maior terminal para cruzeiros marítimos da costa oeste. Além disso, trata-se de um polo para construção naval, com mão de obra especializada na indústria aeroespacial e setor tecnológico em expansão, com incentivos a startups. Há, ainda, esforços para integrar oportunidades de mercado de carbono às operações portuárias. “Trabalhamos para impulsionar projetos de demonstração inéditos e apoiar a inovação em estágio inicial. Fundamos a Maritime Blue porque esta região tem uma indústria marítima muito importante e em rápido crescimento. E quando sobrepomos isso a toda a inovação que está acontecendo ao redor de Seattle e no Noroeste dos Estados Unidos, conseguimos direcionar essa energia para a economia azul — oceanos, setor marítimo e pescas”, disse Berger. Questionado sobre uma possível dificuldade ao trabalho da organização devido à gestão de Donald Trump na Casa Branca, Joshua ponderou que “a economia azul é muito ampla”. “Existem vários aspectos da economia azul que a administração Trump apoia, particularmente a reconstrução da nossa capacidade de construção naval marítima e da infraestrutura portuária. Tudo isso é muito importante. Nosso foco em sustentabilidade e ação climática não está diretamente alinhado, mas é um componente fundamental para nossa região. Nosso estado está totalmente comprometido em enfrentar a crise climática e aproveitar as oportunidades e inovações que vêm com isso.” Segundo ele, o apoio do setor industrial é determinante. “A indústria global de transporte marítimo está caminhando em direção a uma transição para energia limpa. Estamos aqui para apoiá-los, com ou sem a participação dos EUA. A inovação está acontecendo em todas essas áreas, com ou sem o governo Trump e com ou sem o apoio federal dos EUA. Nossa organização também é apoiada não apenas por recursos públicos, mas também por capital privado, capital filantrópico e gera receita nesses novos mercados.” Alber Vaconcelos Neto () “A questão da economia azul traduz a importância do setor marítimo. Aqui, a comunidade portuária traz toda a cidade para perto. Há um engajamento de toda a comunidade. É um ponto que o setor portuário brasileiro precisa melhorar e tem condições para isso” Alber Vasconcelos Neto Diretor da Antaq Anderson Pomini () “O primeiro dia foi muito positivo. Seattle se destaca pela tecnologia, pela boa transição energética, pelo foco no modal ferroviário. Foi um dia com muito aprendizado, fruto de um encontro muito rico. Podemos copiar para Santos o que funciona muito bem aqui” Anderson Pomini Presidente da APS Bruno Stupello () “Seattle trabalha integrando inovações de vários setores. Eles usam o que aprendem na aviação para trazer ferramentas ao setor portuário. É algo semelhante ao que já vimos na Missão Internacional Porto & Mar do ano passado" Bruno Stupello Diretor de Operações de Terminais Portuários da Santos Brasil Mauro Sammarco () “É importante aprendermos com eles. Foi possível fazer muita relação da realidade deles com o que temos na Baixada Santista. Autoridade Portuária, empresas e comunidade podem trabalhar essa questão da sustentabilidade de forma unida” Mauro Sammarco Presidente da ACS Ricardo Arten () “A economia azul é uma iniciativa muito importante porque eles conseguem colocar várias entidades para discutir um mesmo assunto e transformam isso em realidade, de forma bem rápida. Muito interessante notar como funciona isso” Ricardo Arten Presidente do Porto Itapoá Ricardo Trotti () “A agenda desta terça-feira trouxe muita informação quanto ao trabalho conjunto das autoridades com os investidores no Porto de Seattle, além da conexão que se faz da parte marítima com os setores aéreo e ferroviário” Ricardo Trotti Diretor de Operações da BTP Sérgio Aquino () “Em Seattle, vimos que eles já estavam atentos à questão da sustentabilidade há muito tempo, preparando pontos de energia para os navios desde 2005, algo integrado e fruto de parceria com a comunidade. Usam a tecnologia em benefício do meio ambiente” Sérgio Aquino Presidente da Fenop ()