Polícia Federal faz busca em gabinete da Câmara de Vereadores de Guarujá

Medida fez parte da 'Operação Tritão', que investiga fraudes em contratos firmados pela Codesp

Por: Sandro Thadeu & De A Tribuna On-line &  -  01/11/18  -  11:54
Polêmica envolve sete dos 17 vereadores da Câmara de Guarujá
Polêmica envolve sete dos 17 vereadores da Câmara de Guarujá   Foto: Fernanda Luz/AT

O juiz da 5ª Vara Federal de Santos, Roberto Lemos dos Santos Filho, expediu mandados de busca e apreensão na casa do ex-presidente da Câmara de Guarujá e atual secretário municipal de Esporte e Lazer, Ronald Luiz Nicolaci Fincatti (DEM), e na residência e gabinete do vereador Mauro Lúcio da Conceição (PR).


A determinação fez parte da ‘Operação Tritão’, que investiga um esquema de supostas fraudes da ordem de R$ 20 milhões em contratações feitas pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Os agentes da Polícia Federal (PF) estiveram na manhã de segunda-feira (31) no Legislativo, acompanhados de Conceição, e verificaram computadores. A ação durou cerca de uma hora e, ao final, nada foi levado.


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Essas medidas estão relacionadas ao início das investigações, em 21 de novembro do ano passado, para apurar fraudes em contratos firmados pela Autoridade Portuária, especialmente entre 2013 e 2016.


A apuração começou a partir de um vídeo postado na internet, em setembro de 2016, no qual Carlos Antônio de Souza, o Carlinhos, o assessor de Oliva, revelou as fraudes para o autor da filmagem. No diálogo, ele, que já atuou no Legislativo da Cidade, citou que colocou dinheiro na campanha de Marcelo Squassoni (PRB), eleito deputado federal em 2014.


Carlinhos revelou que também contribuiu financeiramente com Gilberto Benzi (PR), que disputou a Prefeitura pelo PSDB em 2016. Outros também ajudaram o político, como Fincatti, Conceição, Squassoni e Mário Jorge Paladino, dono da MC3 Tecnologia e Logística, que, segundo a PF, manteve contratos fraudulentos com a Codesp.


O autor do vídeo disse ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco) que os políticos ganhariam do empresário R$ 730 mil para dividir entre eles, por causa da prestação de serviço à Autoridade Portuária. O denunciante apontou que os políticos recebiam R$ 50 mil referentes a um contrato de alguma empresa de Paladino com a Câmara de Guarujá.


Conceição foi o responsável por intermediar um encontro, em outubro de 2016, entre Paladino e o autor do vídeo, que recebeu a proposta para ganhar US$ 200 mil – metade viria do empresário e o restante, de Squassoni – e não divulgar a gravação completa com o relato de irregularidades.


Inicialmente, a pessoa receberia dois veículos. A outra parte viria a partir de janeiro de 2017, quando haveria a assinatura de contratos com a Prefeitura relacionados ao aeroporto da Cidade. Paladino revelou que tanto ele como “Kiko” (identidade não revelada) iriam “fatiar” o novo complexo.


Segundo a PF, ainda não foi possível estabelecer qual seria a participação de cada um na fraude. Por isso, houve o pedido para a busca e apreensão de documentos e os envolvidos devem ser ouvidos.


Respostas


Benzi afirmou que está à disposição para prestar qualquer esclarecimento à Justiça. “Em 2016, durante o período eleitoral, tive meu nome envolvido indevidamente neste episódio, explicitamente com cunho político, o qual registrei Boletim de Ocorrência à época. Tenho total interesse no esclarecimento dos fatos. Os fatos apresentados são inverídicos”, ressaltou.


Squassoni desconhece o teor do inquérito citado pela Reportagem, mas reforça que em nenhum momento foi acionado pelas autoridades, sequer para prestar esclarecimentos a respeito do assunto.


Conforme o parlamentar, isso já teria ocorrido, ao que tudo indica, se houvesse algum fundamento nas denúncias que envolvem seu nome. Ele acrescenta que não conhece a pessoa que o citou no depoimento e que os fatos citados são fantasiosos e incompatíveis com a realidade.


A Prefeitura informou não ter recebido nenhum pedido de informação sobre o assunto, mas está à disposição para qual quer esclarecimento.


A Tribuna não conseguiu contato com Fincatti, Conceição e com os advogados de Carlinhos até o fechamento da edição. A Codesp justificou que não tinha como responder os questionamentos feitos pela Reportagem.


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