Operação do Ibama no Porto de Santos mira carga de produtos perigosos

Trabalhos terão início no dia 7 de novembro, mirando armazenagem e movimentação de cargas

Por: Fernanda Balbino  -  28/10/22  -  21:25
  Foto: Matheus Tagé/AT

A partir do próximo dia 7, a armazenagem e a movimentação de produtos perigosos no Porto de Santos serão o foco de uma ação do Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A Operação Relíqua também terá como objetivo vistoriar cargas abandonadas no cais santista.


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Entre os órgãos que participam da ação do Ibama estão a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Receita Federal, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, além da Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), a Santos Port Authority (SPA) e o Exército. Os trabalhos seguirão até o dia 18.


Este será o terceiro ano de Operação Relíqua no Porto de Santos. A necessidade da vistoria surgiu após o acidente envolvendo produtos químicos no Porto de Beirute, no Líbano, em 2020. Apesar da constatação de que o cais santista movimenta as substâncias que causaram a explosão, a conclusão das autoridades é de que as operações são seguras.


De acordo com a agente ambiental federal Ana Angélica Alabarce, responsável pelo Ibama na região, serão realizadas vistoriais físicas e documentais. Em campo, o foco são os processos operacionais, as áreas destinadas para o armazenamento de produtos perigosos, os sistemas de segurança, de gerenciamento de resíduos, equipamentos de resposta a acidentes, entre outros.


Já a vistoria documental visa verificar as ações de gestão de riscos do terminal. As informações a serem levantadas nessa etapa do trabalho estão elencadas em um check-list elaborado especificamente para a Operação Relíqua.


Cargas abandonadas
Mercadorias abandonadas, que não foram retiradas de terminais portuários pelos seus donos, também serão foco da ação das autoridades. Neste caso, a ideia é verificar se há produtos como alimentos, medicamentos ou qualquer outra substância com potencial poluente.


As equipes irão checar se há cargas com perdas ou alterações de suas características físicas ou químicas, que mostrem algum resultado de degradação ou deterioração. Produtos que extrapolam a data de validade impressa nas embalagens também serão vistoriados.


Há cinco anos, 115 cilindros com gases tóxicos foram encontrados no Porto de Santos. Eles foram armazenados por décadas, de forma irregular, no Armazém 10 (na região do Valongo). Entre as cargas, havia produtos diborano, silano, fosfina, cloreto de hidrogênio, diazometano e trifluoreto de boro, que foram destruídos em uma operação milionária. Este é um dos fatores que reforçam a necessidade de vistoria de produtos abandonados.


Conclusão
Depois das vistorias, cada órgão fará um relatório sobre o que foi encontrado em cada terminal. A finalização do material, com a compilação dos dados, ficará por conta das equipes do Ibama. Agentes ambientais de diversos estados do País participarão da operação. Isto porque a iniciativa realizada no Porto de Santos entrou para a agenda do órgão em diversos portos.


“Teremos muita gente de fora, representantes de outros portos, como o de Rio Grande (RS), e servidores do Ibama de diversos estados que serão multiplicadores para que a Operação Relíqua possa ser realizada em outros locais”, explicou Ana Angélica.


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