Veículos autônomos da UiSee foram apresentados à delegação formada por empresários, autoridades e executivos em Pequim (Alexandre Lopes/AT) A Missão Internacional Porto & Mar 2026 encerrou nesta terça-feira (26) sua passagem por Pequim com uma imersão em uma das áreas mais avançadas da inteligência artificial chinesa: a mobilidade autônoma. A comitiva brasileira visitou a UiSee, empresa especializada em tecnologias de direção inteligente e veículos autônomos, considerada uma das referências do setor na China. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A agenda promovida pelo Grupo Tribuna colocou empresários, executivos e autoridades brasileiras diante de soluções que já começam a transformar operações urbanas, industriais e logísticas no país asiático — e que ainda são vistas como tecnologias do futuro em boa parte do mundo. Durante a visita, os integrantes da missão foram recebidos pela equipe da companhia e conheceram diferentes projetos desenvolvidos pela empresa, incluindo carros autônomos, ônibus inteligentes, sistemas de navegação sem motorista e plataformas integradas de inteligência artificial aplicadas à mobilidade. Fundada em 2016, a UiSee se consolidou como uma das principais empresas chinesas voltadas ao desenvolvimento de soluções de direção autônoma em ambientes urbanos, aeroportos, portos, parques industriais e centros logísticos. A companhia prioriza a mobilidade inteligente conectada, integrando sensores, inteligência artificial, mapeamento em tempo real e análise de dados para operação automatizada de veículos. Um dos momentos que mais chamou atenção dos participantes foi a experiência prática em um ônibus totalmente autônomo da empresa. Sem qualquer intervenção humana na direção, o veículo transportou integrantes da comitiva por cerca de dez minutos em um percurso realizado nos arredores do centro tecnológico da companhia. Durante o trajeto, o ônibus realizou curvas, reduções de velocidade, reconhecimento de obstáculos e deslocamento automatizado de maneira totalmente independente. A experiência reforçou entre os visitantes a percepção de que a China já opera, em alguns setores, em um estágio bastante avançado de integração entre inteligência artificial, mobilidade e infraestrutura urbana. Ônibus sem motorista chamou atenção na visita, integrando de forma avançada IA, mobilidade e infraestrutura urbana (Alexandre Lopes/AT) Trabalho em expansão O cofundador e diretor de Produtos da UiSee, Xin Zhou, recebeu a comitiva brasileira e explicou a dinâmica que vem permitindo aos veículos autônomos ganharem cada vez mais espaço na China. “Nós fortalecemos o controlador, que é o cérebro de um sistema de automação. Ele contém todos os recursos e pode calcular, perceber (sensores) e planejar”. De acordo com Zhou, no início, o desejo da UiSee era “aplicar a tecnologia em vários tipos de segmentos, mas isso é muito difícil, porque não é fácil para pessoas comuns usarem a solução, já que ela é muito abstrata”. “Para facilitar o entendimento, tentamos empacotar toda a nossa tecnologia de inteligência artificial. Colocamos nosso sistema dentro de uma única caixa e fizemos um controlador fácil de instalar, de manter e de usar. Você só precisa conectar os cabos, ligar a energia, conectar ao veículo e, então, pode aproveitar nossa tecnologia. Isso é muito útil para todos”, complementou. Oportunidades de negócios Além das demonstrações tecnológicas, a agenda também teve forte componente de negócios e relacionamento institucional. Representantes da UiSee trocaram informações com integrantes da comitiva brasileira sobre possibilidades futuras de cooperação e aplicação dessas tecnologias no Brasil, especialmente em áreas ligadas à logística, mobilidade inteligente e operações industriais. O interesse da empresa chinesa pelo mercado brasileiro acompanha um movimento mais amplo de expansão internacional das companhias de tecnologia da China, que vêm ampliando presença em diferentes regiões do mundo nos últimos anos. Ao longo da visita, os representantes da UiSee destacaram aplicações voltadas a aeroportos inteligentes, terminais logísticos automatizados, portos e sistemas de transporte coletivo autônomo — áreas que despertaram atenção dos empresários brasileiros presentes na missão. Otávio Grottone, Alber Vasconcelos Neto e Giovanni Borlenghi (Reprodução) “É muita tecnologia. Nós já vimos isso nos Estados Unidos e agora o mesmo ocorre na China. Eu já tinha comentado isso e vale repetir: a escola deve incentivar a tecnologia, trazendo os jovens e fazendo com que eles saiam do bancos escolares direto para as empresas, que aqui criam um ambiente perfeito e motivam essa turma a colocar a criatividade para fora. A China está levando tecnologia para o resto do mundo”, Otávio Grottone, responsável por assuntos regulatórios na Eldorado Brasil Celulose. “É assustador o que vimos aqui. Estamos em um país com 5 mil anos que conseguiu se reinventar. A gente só tem a aprender com a China. É muita tecnologia, um avanço absurdo. Eles estão muito à frente. Sobre os veículos autônomos, a gente vê essa tecnologia no setor portuário e no ano passado, nos EUA, tivemos contato com ela nas ruas de São Francisco. Estamos tendo uma experiência enriquecedora”, Alber Vasconcelos Neto, diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). “As empresas chinesas, além de terem ótimas ideias, fazem acontecer. Visitamos uma empresa nova, com apenas dez anos, mas que nesse tempo já fez muitas entregas relevantes. Isso é um caminho para a gente seguir. No Brasil, a gente tem bastante ideia, iniciativas surgem, só que muitas delas morrem no caminho. A gente tem que aprender a integrar os mais diversos setores no Brasil para fazer as coisas acontecerem”, Giovanni Borlenghi, diretor de Negócios do Grupo Cesari. Delegação segue viagem para Xangai Depois de três dias de agendas intensas em Pequim, a delegação brasileira seguiu viagem para Xangai em um dos famosos trens-bala chineses, considerados referência mundial em velocidade, eficiência operacional e tecnologia ferroviária. Comitiva brasileira tirou dúvidas e entendeu as soluções de direção autônoma implantadas pela UiSee (Alexandre Lopes/AT) A escolha pelo deslocamento terrestre, em vez do transporte aéreo, teve o objetivo de proporcionar aos participantes uma experiência prática dentro de um dos sistemas ferroviários mais modernos do planeta. A rede de alta velocidade da China é hoje a maior do mundo e simboliza o investimento maciço do país em infraestrutura, conectividade e mobilidade de larga escala. Durante o trajeto, os integrantes da missão puderam observar de perto o nível de modernização do transporte ferroviário chinês, marcado por conforto, precisão operacional, integração logística e velocidades que transformaram a maneira como milhões de pessoas se deslocam diariamente pelo país. A chegada a Xangai marca o início de uma nova etapa da Missão Internacional Porto & Mar 2026, agora ainda mais conectada aos temas ligados à infraestrutura portuária, logística internacional, automação e geração de negócios. Trem-bala entre Pequim e Xangai é mais uma prova da modernização do transporte local (Alexandre Lopes/AT) Agenda A programação desta quarta-feira (27) da Missão Internacional Porto & Mar 2026 em Xangai começará com uma visita à SenseTime, uma das empresas de inteligência artificial com maior destaque na China, cuja central de operações está instalada em Xangai. Depois, a delegação brasileira estará na Shanghai Zhenhua Heavy Industries (ZPMC), empresa estatal chinesa que é líder mundial na fabricação de maquinário portuário pesado.