Estudo revela impactos do clima no Porto de Santos

Mudanças climáticas vão exigir ações preventivas para reduzir riscos de prejuízos nos complexos portuários brasileiros

Por: Fernanda Balbino  -  23/11/21  -  09:28
O cais santista está altamente sujeito a vendavais e também ao aumento do nível do mar
O cais santista está altamente sujeito a vendavais e também ao aumento do nível do mar   Foto: Carlos Nogueira/AT

Dos 21 complexos portuários públicos brasileiros, o Porto de Santos é um dos primeiros no ranking das instalações que podem ser impactadas por mudanças climáticas. O cais santista está altamente sujeito a vendavais e também ao aumento do nível do mar. A tendência é que o risco se agrave nos próximos anos, segundo estudo divulgado ontem. Agora, serão traçadas diretrizes para minimizar esses efeitos. A expectativa é de que as ações sejam identificadas até julho do ano que vem.


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Paralisação de operações, fechamento de acessos terrestres e até quedas de pilhas de contêineres. Eventos como estes podem ser causados por mudanças climáticas nos complexos portuários brasileiros, inclusive o de Santos.


A constatação é fruto de uma parceria entre a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ).


A expectativa é de que a partir dos resultados da segunda fase do estudo, que será iniciada apenas com os portos de Santos, Aratu (BA) e Rio Grande (RS), os dados sejam apresentados às respectivas autoridades portuárias e ao Ministério da Infraestrutura. O plano é que as informações sirvam de base para a formulação de políticas públicas do setor. “Portos como Santos, Imbituba (SC), Natal (RN) e Recife (PE) poderão ter um agravamento do risco para vendavais, uma vez que a classificação de risco passa de alto para muito alto no cenário de 2050”, diz o estudo.


O trabalho lista 55 ações estruturantes para mitigar riscos das mudanças climáticas. De acordo com os dados apresentados ontem, poucos portos já implementaram medidas de adaptação. Entre elas, estão monitoramento meteorológico contínuo, abordagem da mudança do clima no plano estratégico do complexo portuário e realização de reuniões para discutir o assunto. “Nenhum porto relatou adotar seguros específicos relacionados aos impactos relativos a eventos causado pela mudança do clima, medida essa com potencial de mitigar os impactos financeiros desses eventos”, destacou o relatório do estudo.


O diretor-geral da Antaq, Eduardo Nery, destacou a necessidade de discussão do tema entre as autoridades portuárias brasileiras. “Como os portos estão se preparando para se adaptar às metas da IMO (Organização Marítima Internacional, na sigla em inglês) de reduzir emissões e exigir que armadores operem com embarcações menos poluentes? Nossos portos estão preparados para essas ações?”.


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