[[legacy_image_305886]] O litro do diesel está R\$ 0,25 mais caro para as distribuidoras nas refinarias a partir deste sábado (21). O reajuste de 6,6%, anunciado pela Petrobras na quinta-feira, deverá encarecer o frete do transporte de cargas e gerar alta da inflação. Na terça-feira (17), segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o diesel estava 14% abaixo do preço internacional, enquanto a gasolina permanecia 5% acima também em relação ao mercado externo. O diretor do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), José Carlos Ornellas Priante, acredita que o reajuste impactará o custo do frete. “O aumento de R\$ 0,25 no litro do diesel será aplicado nas refinarias, ou seja, nas bombas o impacto deverá ser ainda maior. Por isso, ainda não temos como mensurar os reflexos no valor final do frete, mas temos certeza de que eles virão”. Segundo o economista Igor Lucena, que também é doutor em Relações Internacionais, “esse aumento do preço do diesel vem em uma péssima hora. Obviamente, a gente está vendo um aumento da gasolina no mundo inteiro, ocasionado pelo aumento do preço do barril de petróleo, e não há dúvida de que era necessário um reajuste de preços. E a Petrobras está reajustando os preços. Entretanto, fica claro que esse reajuste de diesel, que é o principal insumo para o transporte de produtos no Brasil, vai ser repassado aos consumidores”. Lucena explicou ainda que esse aumento poderá influenciar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). “Isso pode impactar no IPCA de 2023, ou seja, na inflação, em até 0,1%, o que é relativamente alto quando a gente pensa que é só um fator”. O economista disse ainda que o índice do Banco Central do Brasil aponta para a desaceleração da economia. “O grande problema disso é que a gente está vendo que os dados do IBC-BR mostram um desaquecimento da economia. Então, quando há um aumento de custos, ainda que indiretos, e um desaquecimento da economia, isso traz um cenário muito ruim para o melhor trimestre do ano, que é o último trimestre — outubro, novembro e dezembro—, onde a gente tem um aumento de vendas, de consumo”. Ele observou ainda que “a diferença é que a Petrobras, agora, está demorando mais tempo para fazer reduções ou aumento de custos do ponto de vista da política de petróleo. Então, isso talvez torne as previsões um pouco mais complexas, mas, na prática, não é uma boa notícia”. O presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), Luciano Carvalho, também foi procurado para comentar sobre os impactos do aumento no preço do diesel, mas não retornou até o fechamento desta edição.