[[legacy_image_267749]] A redução de R\$ 0,44 no preço do litro do diesel para as distribuidoras entrou em vigor nesta quarta-feira (17). A medida é o primeiro efeito da nova política de preços anunciada pela Petrobras que culminou com o fim da paridade de importação. Embora aprove as mudanças, que resultaram em queda de 12,8%, o setor de transporte de cargas afirma ser cedo para avaliar os impactos sobre os custos. A tendência é que, neste momento, a redução não mude a margem de lucro dos caminhoneiros. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Para o motorista autônomo Bernardo Ferreira Barros, de 68 anos e com quatro décadas de profissão, “a redução no preço do diesel é boa, mas vamos ver se as empresas vão cortar o frete, porque a gente trabalha no limite. Hoje, o caminhoneiro sobrevive”, afirmou Barros, elencando os custos que tem para manter o veículo circulando como, por exemplo, seguro, pneus, pedágio e combustível. “Comprei recentemente um jogo de pneus e paguei R\$ 3.500 cada um”. Barros, que transporta contêineres entre o Interior de São Paulo e o Porto de Santos, comentou ainda que o número de viagens que realizava caiu quase pela metade. “Antes eu fazia cinco viagens por semana, hoje, eu tenho cumprido duas”. Outro transportador de contêineres, o motorista autônomo de caminhão Marcos Amâncio da Silva, de 41 anos, faz de duas a três viagens por semana entre o Interior Paulista e o Porto e crê que a redução no preço do diesel terá impacto leve no dia a dia. “Geralmente as transportadoras diminuem o preço do frete. Infelizmente, isso não aumenta nossa margem de lucro. A gente fica com metade do frete, o resto vai para pagar combustível, pedágio, alimentação e outras despesas”. De Salto (SP), o motorista autônomo Carlos Eduardo Guardiano, de 43 anos, que também leva contêineres aos terminais portuários de Santos e de Guarujá, “infelizmente, quando baixa o preço do diesel, o frete cai junto, não aumentando a margem de lucro. Contudo, a redução no preço do combustível ajuda porque também diminui os preços da alimentação e outras despesas. O que precisa baixar é o valor do pedágio, que impacta bastante”. [[legacy_image_267750]] AnálisePara o diretor do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), José Douglas Raimundo, ainda é cedo para avaliar o fim da paridade. “Contudo, vendo o mercado, que ontem (terça-feira, 16) se ajustou positivamente, podemos ficar otimistas”. Em relação à queda no preço do combustível, ele explicou que o corte incide sobre o valor do produto bruto, sem o biodiesel, às distribuidoras. Atualmente, segundo o diretor do Sindisan, o diesel representa entre 35 e 40% do custo do frete. “Portanto, a redução é bem-vinda, principalmente num momento em que os fretes estão defasados não só pelo custo do combustível, mas dos demais insumos, como pneus e lubrificantes, entre outros. Isso sem contar os preços dos caminhões, que estão nas alturas”. Douglas completou a análise dizendo que, em 28 de abril, a Petrobras anunciou redução de 9,8% no preço do diesel nas refinarias, mas o impacto no bolso da categoria foi mínimo. "Quanto disso chegou nas bombas? Diria que 1% ou 1,8%, no máximo. E o preço na refinaria é antes da incidência do ICMS. Além disso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) revisa o piso mínimo de frete toda vez que há variação superior a 5% no preço do diesel”. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) também foi procurada para comentar sobre a nova medida, mas não retornou até o fechamento desta edição. Postos de combustíveisPara o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Sindicombustíveis Resan), José Camargo Hernandes, a expectativa sobre essa nova política de preços é extremamente positiva. "Quanto mais barato o produto custar, melhor, pois nos livramos do problema de aumento de capital de giro e o consumidor também é beneficiado. Facilita a vida do consumidor e do revendedor”. Hernandes destacou ainda que a diminuição de preço também incide sobre a inflação. “É importante frisar que essa redução de preços também impactará nos índices de inflação, principalmente, porque o diesel é o motor de toda a economia, do transporte, da lavoura, da indústria e até na geração de energia elétrica nas regiões onde não temos usinas hidrelétricas”.