[[legacy_image_293623]] Quando perguntam para Noemia da Conceição, de 60 anos, sobre sua profissão, a resposta está na ponta da língua: “Sou os olhos dos meus clientes. Nada passa despercebido, seja no que diz respeito a uma avaria na carga, conferência física e argumentações na hora de liberar essa carga”. Há 30 anos, Noemia é despachante aduaneiro. Trata-se do profissional que representa o importador e o exportador nos portos e aeroportos, resolvendo demandas documentais e operacionais perante os mais diversos órgãos de controle aduaneiro (Receita Federal, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Anvisa, Ibama e Exército). “Somos o elo de toda a cadeia do comércio exterior, fazendo a roda girar”, afirma o presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região, Carlos Melo. A atividade, que teve início no Império, foi instituída por dom João III, em 1554, com o intuito de conferir a entrada e saída de mercadorias dos navios. "Trabalhando como prestadora de serviços na área fitosanitária, houve a oportunidade quando, como ajudante de despachante, me dediquei a auxiliar, na época, o meu despachante a dar qualidade de serviço aos importadores e exportadores", relembra Noemia. Foi paixão à primeira vista: Noemia não resistiu à correria da função e dos prazos, além da possibilidade de argumentar com as autoridades. "O intuito é mostrar a esses órgãos a integridade das cargas e informações que compõem o processo de nacionalização e/ou exportação", explica. Já Alexandre Del Rosso Pires galgou degraus desde cedo. "Comecei como office boy aos 17 anos, em uma comissária de despachos. Na época, acredito que, por ter um curso de Datilografia, já estava fazendo serviços internos com pouco tempo de empresa. Ao longo do tempo, fui buscando aprender cada vez mais sobre a profissão, passando pelos cargos de ajudante de despachante aduaneiro e, por fim, despachante aduaneiro", conta. Desafios e futuroCom as inúmeras atividades do despachante aduaneiro e as facilitações das operações de comércio exterior, os desafios são grandes para os próximos anos, acredita Pires, “em um trabalho constante junto às autoridades para melhor desempenho da profissão, e a liberação das mercadorias em menor tempo, reduzindo assim o Custo Brasil”. Noemia observa que a atualização constante é o segredo. “Informação, tecnologia e aprimoramento são ferramentas de ponta para dar a velocidade que o negócio exige. Tudo isso é fundamental para que possamos exercer um trabalho de qualidade para que os clientes fiquem satisfeitos com o resultado”, afirma. A mudança de rotina, inclusive, já aconteceu. “Saímos do dia a dia dos terminais e, atualmente, estamos mais restritos a uma sala com computadores. Temos a fundamental importância de sermos estudiosos a respeito de consultores, draw back (regime aduaneiro especial que consiste na suspensão ou eliminação de tributos incidentes sobre insumos importados para utilização em produto exportado), regimes especiais e outros, trazendo luz para a performance dos clientes, tornando a operação mais econômica”, detalha Noemia. Uma dessas ferramentas tecnológicas é a Declaração Única de Importação (Duimp). Ela foi implantada no fim da década passada, mas ainda não totalmente pronta e homologada em 100% pela Receita Federal para integrar um portal único do Governo Federal referente ao processo. Apesar das facilidades, Pires não é fatalista quanto ao futuro do despachante aduaneiro. “A profissão sempre vai existir, mas quem a exerce precisará cada vez mais se aprimorar, em razão das novas tecnologias e a facilitação do comércio exterior. O despachante aduaneiro vai continuar sempre auxiliando os importadores e exportadores para a melhor logística de suas mercadorias e, consequentemente, para redução dos custos”.