Logo A Tribuna
ASSINE
Icone usuario ENTRAR
CLUBE IMPRESSO ACERVO ASSINANTE

Corte arbitral determina venda da Eldorado

O grupo J&F, dos irmãos Batista, terá de vender 100% da Eldorado Celulose ao grupo asiático Paper Excellence

Por: Do Estadão Conteúdo  -  04/02/21  -  17:24
No radar da Eldorado, mais investimentos e ampliação
No radar da Eldorado, mais investimentos e ampliação   Foto: Carlos Nogueira/AT

A corte arbitral da International Chamber of Commerce (ICC Brasil) decidiu, por 3 votos a zero, que o grupo J&F, dos irmãos Batista, terá de vender 100% da Eldorado Celulose ao grupo asiático Paper Excellence, nos termos do acordo firmado entre as partes em 2017. A disputa, que se moveu da Justiça brasileira para o tribunal arbitral, se arrastava há mais de três anos.


Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços!


A Eldorado exporta parte de sua produção de celulose pelo Porto de Santos, onde opera um terminal (o Rishis, na região de Outeirinhos) e implantará um segundo (na Ponta da Praia). Ainda não está definido o impacto que a provável venda terá nos projetos portuários da companhia.


A empresa foi vendida em 2 de setembro de 2017 para a companhia do empresário Jackson Widjaya, da mesma família que controla a gigante asiática Asia Pulp and Paper. O acordo foi feito quatro meses após as delações dos irmãos Batista sobre corrupção virem à tona, mesma época em que ocorreu a venda da Vigor e da Alpargatas. Desentendimentos entre comprador e vendedor levaram a negociação à arbitragem.


O valor total era de R$ 15 bilhões. Conforme o acordo original, a Paper Excellence desembolsou, em prestações, R$ 3,8 bilhões por 49,4% das ações, mas o negócio não foi concluído porque os Batistas alegaram que os asiáticos não liberaram as garantias prestadas pela holding em dívidas da Eldorado para pagar seus credores.


Em 2019, R$ 11,2 bilhões chegaram a ser depositados pela família Widjaya em uma conta no BTG Pactual, como forma de comprovar a capacidade de pagamento da companhia – o valor depois transferido ao Itaú Unibanco.


A Paper Excellence acusava a J&F de ter dificultado a liberação, por conta da recuperação dos preços da celulose após o negócio ter sido fechado.


Enquanto isso, a holding dos Batistas alegava ter dúvida sobre a capacidade do comprador de fazer o pagamento. A CA Investments, empresa de investimento da Paper Excellence, divulgou fato relevante confirmando a sentença, assim como a Eldorado. A J&F não se pronunciou.


Ainda segundo a decisão arbitral, a finalização do negócio depende da liberação das garantias que foram dadas pela J&F em um empréstimo realizado pela Eldorado, sendo grande parte em ações da JBS, outro negócio da família Batista.


Logo A Tribuna