[[legacy_image_294659]] Com R\$ 5,1 bilhões injetados na economia brasileira, 802,7 mil cruzeiristas e 79,6 mil empregos diretos e indiretos gerados, a temporada de cruzeiros marítimos 2022/2023 foi a segunda melhor nos últimos 12 anos no Brasil e anima o setor para o ciclo 2023/2024, que terá início em outubro e se estenderá até maio. Os dados integram o Estudo de Perfil e Impactos Econômicos de Cruzeiros Marítimos no Brasil, produzido pela Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil) e Fundação Getulio Vargas (FGV). A pesquisa foi divulgada na semana passada, durante o 5º Fórum Clia Brasil 2023, realizado em Brasília, apontando também que cada R\$ 1,00 investido no setor de cruzeiros movimentou R\$ 4,05 na economia nacional. Segundo o presidente da Clia Brasil, Marco Ferraz, o objetivo desse mapeamento é “mostrar a importância dessa indústria não somente para a sociedade, como também para o Governo Federal, o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e as Câmaras de Vereadores”. Na última temporada, nove navios percorreram 17 destinos pela costa brasileira. O volume de passageiros, superior a 802 mil, é visto pelo presidente da Clia como uma clara demonstração da retomada do setor em comparação ao ciclo 2021/2022. “Só havia cinco navios e tivemos de lidar com dois meses de paralisação devido à pandemia. Foi um ciclo atípico, com 140 mil passageiros e impacto econômico de R\$ 1,5 bilhão. Já na última temporada, cada navio gerou mais de 9 mil empregos e mais de R\$ 500 milhões à economia brasileira”. Os R\$ 5,1 bilhões divulgados por Clia Brasil e FGV englobam gastos diretos, indiretos e induzidos das companhias marítimas, além de recursos de cruzeiristas e tripulantes, sendo R\$ 3 bilhões investidos pelas armadoras e R\$ 2,1 bilhões relativos a passageiros e tripulação. Além disso, o setor gerou R\$ 546,2 milhões em tributos. Entretanto, Ferraz ressaltou que as temporadas 2011/2012 e 2022/2023 foram as de maiores custos operacionais de todos os tempos. "Precisamos buscar melhorias em infraestrutura, segurança, regulação e desenvolvimento de novos destinos. Se a gente quer manter os navios que estão vindo e atrair outros ao Brasil, é preciso repensar custos no País, como os portuários, de combustíveis, provisões de alimentos e bebidas e impostos. As despesas desse ano para as armadoras foram 40% maiores em comparação com Caribe, Mediterrâneo e outros locais". Ferraz ressalta que países como China e Índia estão abrindo temporadas e isso serve como alerta para os brasileiros. "O navio é um ativo, então se a companhia calcula que o custo no Brasil está muito alto em comparação a outro destino, ela poderá optar por outro mais competitivo. A gente não quer ser mais barato do que ninguém, só quer ser igual à média de outros países”. Consumo e comportamento Os setores mais beneficiados com os gastos dos cruzeiristas e tripulantes foram alimentos e bebidas (R\$ 631,4 milhões), comércio varejista (R\$ 618,4 milhões), transporte durante a viagem (R\$ 508,9 milhões), transporte antes ou após a viagem (R\$ 325,3 milhões), passeios turísticos (R\$ 260 milhões) e hospedagem antes ou após a viagem de cruzeiro (R\$ 93,8 milhões). O levantamento ainda mostra que o gasto médio por pessoa com a compra da viagem de cruzeiro foi de R\$ 5.073,51 e o tempo da viagem foi de 4,9 dias. Além disso, o estudo indica que a média de impacto econômico gerada por cada cruzeirista nas cidades de escala foi de R\$ 639,37. O valor subiu para R\$ 813,56 nas cidades de embarque e desembarque. Já o número de turistas residentes no Brasil que realizaram viagens de cruzeiros no exterior em 2022 foi de 75,3 mil, gerando receita estimada de R\$ 554 milhões - R\$ 320 milhões a mais que em 2021. Caribe e Mediterrâneo foram os principais destinos de preferência. No mundo, o setor mostra a tendência de crescimento contínuo, evidenciada nos investimentos em novos navios, com aumento da quantidade e diversificação dos cruzeiros. A indústria recebeu 26 navios em 2022 e ganhará outros 22 em 2023, com capacidade adicional de pouco mais de 104 mil leitos, além da previsão de mais navios e leitos para os próximos anos (2024-2026). Segundo a Associação Internacional de Cruzeiros (Clia), o total de cruzeiristas pelo mundo em 2022 foi de 20,4 milhões, com a expectativa de que esse número chegue a 31,5 milhões em 2023. Abrangência 9 navios 17 destinos dentro do Brasil 203 cruzeiros realizados 37.442 leitos 11.015 tripulantes 859.922 leitos ofertados 802.758 cruzeiristas embarcados Perfil do viajante Quase 92% desejam realizar uma nova viagem de cruzeiro 87% querem retornar ao destino de escala 78% desceram em pelo menos uma parada do roteiro 66,1% realizavam sua primeira viagem de navio 33,9% já haviam viajado de cruzeiro, em média, quatro vezes 66,2% têm o Nordeste como destino de preferência no Brasil 41,8% gostariam de realizar um cruzeiro para o Caribe 36,8% preferem ir à Europa 60,8% são mulheres 39,2% são homens 61,4% são casados ou estão em união estável 98,9% viajam acompanhados: com filhos e parentes (51,9%), cônjuge (24,7%) e amigos (19,5%) Fonte: Estudo de Perfil e Impactos Econômicos de Cruzeiros Marítimos no Brasil