Atraso nas rotas dos navios cria gargalo para as exportações no Porto de Santos

Terminais brasileiros registraram até 90% de programações fora do estabelecido, afirma diretora da Antaq

Por: Ágata Luz  -  13/05/22  -  12:08
Atualizado em 13/05/22 - 20:11
Problemas foram identificados no grupo de trabalho (GT) estabelecido pela Antaq para analisar os impactos da crise de contêineres no setor portuário
Problemas foram identificados no grupo de trabalho (GT) estabelecido pela Antaq para analisar os impactos da crise de contêineres no setor portuário   Foto: Pixabay

Um novo e preocupante gargalo nas exportações brasileiras foi detectado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), após uma série de reuniões com armadores, terminais portuários, importadores e exportadores que atuam no Brasil. Em entrevista exclusiva, a diretora da agência, Flávia Takafashi, explicou que o atraso nas rotas de navios que embarcam produtos nos portos brasileiros é hoje o principal problema do tráfego internacional de carga marítima no País.


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Ela explica que o cenário logístico atual no Brasil é reflexo do atraso somado aos cancelamentos de embarques em alguns portos. “A gente chama esse processo de omissões de escala”, explica Flávia, dizendo que os problemas foram identificados no grupo de trabalho (GT) estabelecido pela Antaq para analisar os impactos da crise de contêineres no setor portuário brasileiro, conforme divulgado na última semana por A Tribuna.


“É um problema (atraso nas notas de navios) que começou com a falta de contêiner, mas hoje essa falta acaba não sendo um fator tão relevante para o mercado brasileiro”, ressalta a diretora, explicando que o Brasil também registrou falta de caixas metálicas, mas com menos intensidade.


De acordo com Flávia, as linhas de contêineres nos terminais brasileiros são pré-agendadas, contudo ainda assim começaram a sofrer atrasos. "Houve terminais que estavam registrando 90% de atrasos. Ou seja, 90% do que chegava no terminal estava fora da programação inicialmente estabelecida", enfatiza.


Em linhas gerais, foi constatada uma média de 60% a 70% de atraso nessas linhas de navegação nos portos brasileiros. “Isso acaba gerando gargalo nos berços dos terminais porque, às vezes, um navio atrasa e chega no momento que, em tese, seria atracação de outra embarcação”.


Além do congestionamento nos berços, os pátios também são prejudicados. “Eles precisam se reprogramar por conta dos atrasos”, diz Flávia. Porém, a diretora da agência ressalta que as omissões de escala causam um transtorno ainda maior. Segundo ela, os casos mais graves acontecem quando o atraso é muito grande. “É preciso pular um determinado porto para poder seguir a viagem”.


Com as omissões, as cargas que deveriam ser embarcadas não são transportadas para os navios. “Ela fica para próxima vez que o navio chegar, mas na próxima vez que o navio vier, ele também sofrerá uma omissão de escala, já que o problema tem sido muito recorrente”, afirma, dizendo que o resultado disso é o acúmulo de cargas, prejudicando o recebimento de novos produtos, devido ao fato de os terminais ficarem cheios.


Cenário em Santos

Após as conversas com os representantes do setor portuário, o GT da Antaq está processando os dados coletados em cada um dos 19 terminais para, em breve, divulgar com detalhes a maior demanda de cada região. No entanto, para A Tribuna, Flávia afirmou que já é possível ter uma percepção sobre a situação do Porto de Santos.


“A gente sabe que o Porto de Santos tem um impacto diferente e, naturalmente, a percepção que a gente tem é que poucas linhas omitem o Porto de Santos”, enfatiza, dizendo que o complexo portuário possui uma grande capacidade de recebimento de cargas. Porém, o impacto também chegou ao maior porto do Brasil.


"Hoje, falando de Santos, a gente pode dizer que também sofreu com o aumento no número de omissões e com os atrasos (de navios). Mas o complexo portuário como um todo, não os terminais específicos, tende a receber sempre uma grande capacidade e ter uma seleção de omissão menor”, explica.



Segundo a diretora da Antaq, isso é causado pela capacidade que o complexo tem e pela necessidade que os navios possuem de parar primeiro em Santos, “até mesmo para aliviar cargas e seguir para outros portos de menor capacidade”.


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