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Quarta-feira

15 de Julho de 2020

Túnel de sanitização vai ajudar práticos que atuam no Porto de Santos durante a pandemia

Usado em hospitais, equipamento joga produto químico que garante proteção aos profissionais contra Covid-19

A partir desta terça-feira (26), os práticos que atuam no Porto de Santos terão uma nova arma para evitar contaminações por Covid-19. Trata-se de um túnel de sanitização, instalado no Centro de Operações da entidade, na Ponta da Praia. Ele será utilizado pelos profissionais antes e depois de cada manobra de atracação ou desatracação no cais santista.

Ao passarem pelo túnel, práticos, marítimos e colaboradores da Praticagem de São Paulo receberão uma névoa de produto químico que garante proteção contra a doença. O equipamento, usado também em hospitais, empresas e navios, permite a desinfecção de roupas, calçados e acessórios das pessoas em deslocamento, por meio de um sistema de pressão e vazão, mais eficiente do que a pulverização tradicional.

Segundo a entidade, os produtos utilizados não trazem riscos à saúde e seguem as normas técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Praticagem também iniciou um processo de desinfecção e todas as suas instalações, incluindo a sede, o estaleiro e as lanchas.

O procedimento garante proteção em média por 15 dias. Isto porque elimina a possibilidade de que o vírus permaneça em locais de acesso.

Mas riscos para os práticos continuam. A categoria é a primeira a embarcar em navios que chegam de diversas partes do mundo. E, em algumas situações, não é informada sobre casos suspeitos de Covid-19 a bordo.

Pensando nisso, a Praticagem passou a questionar responsáveis pelos navios sobre a possibilidade de tripulantes estarem doentes na embarcação. Todo o contato é gravado.

“O prático é o primeiro ser humano a ter contato com qualquer tripulação que chega por meio de portos ao País. A emissão da Livre Prática (pela Anvisa) consiste em uma relação de confiabilidade entre as partes, principalmente quanto às condições de saúde dos estrangeiros. Quando esse protocolo é quebrado e não informam os casos de covid19 a bordo, colocam os práticos, suas famílias, colaboradores e toda comunidade em risco”, alerta o presidente da Praticagem de São Paulo, Carlos Alberto de Souza Filho. 

A Praticagem defende que a Anvisa altere o protocolo, de acordo com o Regulamento Sanitário Internacional, e inspecione as embarcações ainda na área de fundeio, antes da atracação no Porto de Santos. “Defendemos que haja uma fidelidade maior a esse protocolo internacional e que o navio vá para um fundeadouro, um lugar mais abrigado, para que os técnicos da Anvisa possam subir a bordo e verificar”, conclui o profissional.

Proteção 

Segundo Souza Filho, quando a comunicação é feita de forma correta, os práticos embarcam com a roupa completa, que inclui macacão, luvas, máscaras e óculos de proteção. No entanto, não é viável adotar esse procedimento em todas as operações. 

“Fazemos cerca de 1.300 manobras mensais nas zonas de Praticagem de Santos e São Sebastião. Essa roupa especial tem um custo muito alto e deve ser totalmente descartada depois do uso. Porém, mais importante do que a questão financeira é o aumento do risco que ocorre com o uso da roupa e de óculos especiais de proteção que prejudicam a mobilidade do prático e tiram uma parte da visão periférica, o que pode ser perigoso no momento de transição do prático entre a lancha e o navio e vice-versa. É um momento crítico que demanda muita atenção e cuidados. Vários práticos já perderam a vida nessa passagem”, destacou o prático.

A Praticagem de São Paulo ainda recomentou uma série de providências, como o uso de máscaras, ao Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar). O documento foi enviado com cópia para a Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) e para a Autoridade Portuária de Santos, novo nome da Companhia Docas do Estado de São Paulo, a Codesp. 

Segundo Souza Filho, recentemente o Centro de Operações da Praticagem fez o alerta para a Autoridade Portuária e para a Anvisa sobre a chegada de um navio com casos suspeitos a bordo. “Esse tipo de situação deve ser comunicada antes, e não na chegada do prático a bordo. A Livre Prática é concedida com base na informação do comandante e ele não pode deixar que questões econômicas ou pressões dos armadores se sobreponham à questão da saúde. Já me reuni com o Capitão dos Portos e junto com o Conapra (Conselho Nacional de Praticagem) e estamos estudando medidas a serem tomadas para casos como esse citado. Deve haver uma providência exemplar para que não se repitam”, destacou o prático.

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