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Sexta-feira

22 de Fevereiro de 2019

Setor debate modelo de gestão do Porto na Associação Comercial de Santos

Encontro teve participação da deputada federal Rosana Valle (PSB) e do deputado estadual Paulo Correa Junior (Patriotas). Propostas serão levadas ao Governo Federal

A definição de um novo modelo de gestão para o Porto de Santos, a redução da burocracia e a necessidade de obras para mais um acesso ao cais santista foram algumas das questões discutidas nesta sexta-feira (8), na Associação Comercial de Santos (ACS). Os temas foram apresentados durante a primeira reunião do Conselho Consultivo criado para debater o futuro do complexo portuário. Na próxima quarta-feira (13), o grupo promete levar os assuntos ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. 

O encontro, proposto pelo deputado federal Júnior Bozzella (PSL), teve a participação da deputada federal Rosana Valle (PSB) e do deputado estadual Paulo Correa Junior (Patriotas), além de representantes sindicais e empresários do setor portuário. 

“Nossa preocupação, agora, é ter uma pauta objetiva. O objetivo aqui é ouvir, fazer uma prévia, colher informações e sentimentos para levarmos algo concreto para o ministro”, destacou Bozzella. 

Rosana Valle destacou que também pretende levar as discussões à Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados. “Temos pautas comuns a trabalhadores e empresários. Nós devemos levar primeiro ao ministro as reivindicações comuns dos que querem o desenvolvimento do Porto de Santos”. 

O presidente da ACS e diretor-presidente da TV Tribuna, Roberto Clemente Santini, destacou a necessidade de uma agenda positiva e coerente para a solução dos problemas do Porto. “Nesse início de ano legislativo, com deputados federais aqui presentes, é muito importante a união de todos para o nosso Porto. Com a união de todos, nós teremos mais forças para superar os obstáculos”, afirmou.

Boa parte do encontro teve como foco o debate do novo modelo de gestão do Porto. Porém, não houve consenso sobre como deverá ser administrado o cais santista. 

O que é certo, por enquanto, é que a privatização, proposta como uma alternativa para o futuro, não é bem vista por empresários e trabalhadores. “Não tem como privatizar a parte de fiscalização ou regulatória. Já os serviços de infraestrutura, sim”, afirmou o presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), João de Almeida.

O delegado regional da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Eliezer Giroux, destacou a necessidade de que os pontos essenciais da discussão sejam encarados como uma política de estado e não de governo. O executivo também lembrou os longos períodos em que os terminais portuários ficam ociosos por restrições de calado ou pela falta de um sistema de controle de tráfego que otimize a entrada e a saída de navios do cais santista. 

Problemas envolvendo entraves burocráticos e falta de servidores em órgãos anuentes do Porto de Santos foi um tema abordado pelo diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque. 

Atratividade

Para o presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (Fenop), Sérgio Aquino, é preciso recuperar a atratividade do Porto, alterando a legislação para mudar o modelo de gestão do cais santista. “Outra questão importante é recuperar o CAP (Conselho de Autoridade Portuária). Precisamos trabalhar em temas para recuperar a administração do Porto”. 

A necessidade de garantir obras de infraestrutura, como o acesso rodoviário ao Porto de Santos, ferrovias e hidrovias, foi lembrada pelo deputado estadual Paulo Correa Junior. “Modelo de gestão descentralizado é o que a gente terá mais voz”, destacou. 

Sindicalistas

Sindicatos de trabalhadores do Porto de Santos vão encaminhar uma proposta conjunta de mudança no modelo de gestão do cais santista à deputada federal Rosana Valle (PSB). A parlamentar propôs, ainda, a criação de um grupo de trabalho para a interlocução dos portuários junto ao Governo Federal. 

Em reunião realizada na manhã de sexta-feira (8), na sede do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Portuária (Sindaport), a deputada ouviu os anseios de nove entidades sindicais. Porém, os próprios trabalhadores divergem quanto ao modelo de gestão que deve ser adotado.

Segundo o presidente do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Oliveira da Silva, o Nei, a categoria promete resistir à proposta de privatização do Porto, cogitada pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. A opinião do sindicalista é de que o complexo deve ser municipalizado. 

“Quem mais tem interesse em ver o porto avançando, produzindo e com gente capacitada? O trabalhador, sim, tem propostas”, completou o sindicalista que defende a manutenção de garantias dos trabalhadores. 

O presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos, é totalmente contrário à municipalização da administração portuária. Para ele, o ideal é que a gestão do Porto seja descentralizada e a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) tenha autonomia para exercer suas funções. 

“Também defendemos a qualificação dos cargos de direção, que deverão ser ocupados exclusivamente por técnicos qualificados com autonomia na gestão. E garantia de participação dos trabalhadores do setor na gestão do complexo portuário”, destacou Cirino. 

Diante das divergências de opiniões, Rosana Valle propôs aos portuários a formação de um grupo de trabalho com trabalhadores. “O grupo de trabalho é para a gente unificar as propostas porque há divergências. Existem coisas que são comuns e eu vou ter que encontrar o ministro novamente. Então eu já vou levar para ele”, afirmou a deputada, que se reunirá, na próxima quinta-feira, com Tarcísio Gomes de Freitas.

Presenças

Entre os participantes da reunião da manhã de sexta-feira, estavam o deputado estadual Caio França (PSB), o presidente da Câmara de Santos, vereador Rui de Rosis (MDB) e o vice-prefeito da Cidade, Sandoval Soares (PSDB). 

Entre os dirigentes trabalhistas do Porto, também participaram sindicalistas dos conferentes de carga e descarga, dos arrumadores, dos trabalhadores do Bloco, dos guindasteiros, dos operários portuários e dos vigias portuários.