Segunda fase da 'Operação Relíquia' fiscalizará cargas perigosas no Porto de Santos

Ibama diz que segunda parte da ação vai ocorrer no segundo semestre, simultaneamente em todo o país

O Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deve concluir, até o próximo mês, a análise dos dados obtidos durante a operação Relíqua, que mapeou procedimentos de armazenagem, transporte e manuseio de cargas perigosas no Porto de Santos. Mesmo antes do fim dos trabalhos, o órgão garante que a segunda edição da iniciativa será realizada no segundo semestre. Desta vez, a novidade é que as ações serão executadas simultaneamente em todos os portos.

Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços!

Em agosto do ano passado, uma explosão na zona portuária de Beirute, no Líbano, matou mais de 170 pessoas, além de deixar milhares de feridos. Na ocasião, uma carga de nitrato de amônio causou o acidente e a mesma mercadoria é operada no Porto de Santos. Por isso, o caso chamou a atenção para os riscos envolvendo operações de cargas perigosas no cais santista. 

No mês seguinte, todos os terminais do Porto foram vistoriados. Além do Ibama, participaram da operação a Autoridade Portuária de Santos, a Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), a Receita Federal, as polícias Federal e Militar, o Exército, as agências nacionais de Transportes Aquaviários (Antaq), Transportes Terrestres (ANTT) e Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O trabalho será concluído e apresentado no mês que vem.
 
Segundo a agente ambiental federal Ana Angélica Alabarce, responsável pelo Ibama na região, os trabalhos estão na reta final. Mas a conclusão da operação é de que as operações com produtos perigosos são realizadas de acordo com as normas no Porto de Santos. “Tivemos alguns destaques para a necessidade de adaptações, mas sem grandes perigos. São melhorias que podem garantir ainda mais segurança às operações”, afirmou Ana Angélica. 

Agora, técnicos do Ibama querem saber se o mesmo acontece em outros complexos portuários do País. “O perigo é eminente em qualquer porto. A carga depende muito do ser humano, de como ele armazena, transporta e manuseia. É aí que está o risco”, destacou a agente ambiental federal.

Na primeira edição da operação Relíqua, representantes do Ibama de seis estados participaram das ações: Maranhão, Ceará, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso e Paraná. Agora, os trabalhos serão realizados nestes locais e também em outros portos do País. “A operação Relíqua virou um plano nacional. O Ibama e o Exército continuarão na coordenação dos trabalhos, que contarão com 12 autoridades no segundo semestre”, afirmou Ana Angélica.

Em Santos

A movimentação e armazenagem de nitrato de amônio (insumo para fertilizantes) ocorre no Terminal Marítimo do Guarujá (Termag), na Margem Esquerda (Guarujá). Já na Margem Direita (Santos) não há armazenamento e, quando há operação deste produto, ela é feita com descarga direta. 

Em 2019, mais de 2,2 milhões de toneladas de fertilizantes foram desembarcadas no cais santista. Os dados do ano passado ainda não foram disponibilizados pela Autoridade Portuária. 

Tudo sobre: