Rodrigo Zanethi: O comércio mundial no 3° trimestre após o choque da covid-19

Agora, nos resta esperar os desdobramentos sanitários e políticos do vírus para que possamos, ainda em 2021, termos um ano comercialmente melhor

Ante a enxurrada de informações sobre a covid-19, em regra geral, a população é levada a acreditar que 2020 foi uma catástrofe em todos os sentidos. Realmente, a perda de qualquer vida é algo a se lamentar e, óbvio, a perda de milhões de vidas por causa de uma peste é algo inimaginável em pleno século 21. Mas certamente, em breve, o mundo terá as rédeas desta situação, as vacinas farão seu papel e poderemos voltar a ter uma vida tranquila, porém diferente, pois os efeitos da covid-19, no aspecto pessoal, laboral, dentre outros, será sentido. 

Dentre vários pontos, um que preocupava o mundo era a questão das transações comerciais mundiais, ou seja, o quanto o coronavírus impactaria os números da balança comercial mundial. Mas uma agradável surpresa veio à tona em recente publicação da Organização Mundial do Comércio (OMC): no terceiro trimestre de 2020, o volume de comércio mundial de mercadorias cresceu 11,6% em relação ao trimestre anterior, após queda de 12,7% no segundo trimestre. Neste número, faz-se menção às regiões mais industrializadas que tiveram forte recuperação nas suas exportações, como a América do Norte (20,1%), a Europa (19,3%) e a Ásia (10,1%), apesar de representarem números menores comparados ao mesmo período de 2019 – com exceção da Ásia, que superou em 0,4% as suas exportações. O crescimento mais fraco foi visto na América do Sul e Central (3,1%). 

Em relação às importações, os volumes cresceram na América do Norte (16,6% em comparação com o trimestre anterior) e na Europa (15%) no terceiro trimestre, após uma forte queda no segundo trimestre. A Ásia teve um pequeno aumento de 2,1% e as Américas do Sul e Central registraram queda adicional de 0,7% no terceiro trimestre, em comparação com o trimestre anterior. Ressalte-se que, em relação ao 2º trimestre de 2019, em todas essas regiões houve uma queda, valendo citar que, na América do Sul e Central, chegou a - 19,4%. 

Esta retomada do crescimento do volume transacionado internacionalmente tem como fonte as medidas de relaxamento sanitário (as quais terão impacto, positivo ou negativo, nos números do 4º trimestre de 2020 e no 1º trimestre de 2021), diversas intervenções nas políticas monetárias e fiscais das principais economias e a capacidade do comércio teve em se adaptar aos novos tempos. 

Obviamente, os números apresentados não são de aplaudir de pé, mas surpreendem, visto que a previsão era menor que esta, principalmente se levarmos em conta a projeção de queda em relação ao mesmo período de 2019, onde era antevisto uma queda de 9,2% e esta foi de “apenas” de 8,2%. 

No tocante ao Brasil, os números do segundo trimestre de 2020 demonstram uma queda abrupta na importação, na casa de -28,6%, e na exportação, -16,73%, tudo em comparação ao mesmo período de 2019 – o que, para um país em desenvolvimento que tem sua economia baseada na exportação de produtos primários e na importação de máquinas e assemelhados, é assustador. Apesar de que, pelos números lançados até o presente momento, o nosso 4º. trimestre mostra uma melhora, isto é, uma queda bem menos acentuada, sendo que este deve ser o cenário também para o mundo com um quarto trimestre melhor, apesar da nova onda da covid-19. 

Agora, nos resta esperar os desdobramentos sanitários e políticos do vírus para que possamos, ainda em 2021, termos um ano comercialmente melhor. Assim, desejo a todos um Santo Natal e um Próspero Ano Novo!

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