Presidente da Codesp afirma que a empresa está comprometida em trazer geração de valor para Santos

Casemiro Tércio Carvalho destacou as prioridades, os anseios e as ações previstas para os próximos meses

Desestatização, renovação de contratos, projetos de ampliação, novos terminais e avanço tecnológico. Muitos são os desafios que envolvem o planejamento estratégico do Porto de Santos para 2020, quando completa seus 128 anos, celebrados hoje . E a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária, já começou a se preparar para essa nova fase do complexo santista, que caminha para se tornar um hub port capaz de receber navios de 366 metros de comprimento. Em entrevista a A Tribuna, o presidente da Codesp, o engenheiro naval Casemiro Tércio Carvalho, destacou as prioridades, os anseios e as ações previstas para os próximos meses. 

Como será 2020 para a Autoridade Portuária de Santos?

Em 2020 a Santos Port Authority (SPA, nova denominação utilizada pela diretoria da Codesp para a empresa) começa a colher os frutos do turnaround iniciado pela diretoria em 2019. Aliás, essa colheita já começou no ano passado, com a reversão do prejuízo de R$ 468,7 milhões de 2018 em lucro de R$ 140,6 milhões. Estamos comprometidos em preparar Santos para a máxima geração de valor, com mais investimentos, novos negócios e modernização das operações. A diretoria centrou esforços para recuperar as contas da companhia, em linha com as melhores práticas de administração pública e gestão de empresas. Isso foi necessário para a garantia do equilíbrio econômico-financeiro, visando fazer frente ao desafio que se apresenta para 2020, demandas que envolverão grandes recursos. A finalidade é gerar o máximo de valor para os futuros investidores quando for definido o modelo de desestatização.

Quais os principais projetos em andamento?

São várias iniciativas. Podemos destacar o novo Plano de Zoneamento do Porto (PDZ), que prevê a concentração de cargas em clusters; a habilitação do Porto para receber navios de grande porte, os chamados 366 metros de extensão, habilitando Santos como o hub port (porto concentrador de cargas) da América do Sul; a consolidação do Plano de Contingência do Porto de Santos (PCPS), com o mapeamento dos diversos planos de emergência existentes para padronização de procedimentos; os novos leilões para arrendamentos já com data marcada, sendo dois novos terminais para celulose (STS 14 e STS 14A, na área que era ocupada pela Libra Terminais, nas proximidades da Ponta da Praia) e um para líquidos (STS 08); as modelagens para novos terminais; o desenvolvimento de novas áreas; e a preparação para desestatização. 

E quais os impactos desses projetos para o Porto de Santos?

Com o PDZ, o Porto de Santos terá espaços em grandes áreas contínuas com dedicação de cargas (clusters) e acessos viários adequados. Isso vai dar mais eficiência à operação, pois, dentre outros benefícios, a concentração de cargas da mesma natureza permite, por exemplo, a ampliação de oferta do modal ferroviário no acesso a terminais que hoje estão restritos a receber caminhão. O gerenciamento do uso dos berços de atracação também ganha com o recebimento de navios próprios para cada tipo de embarque/desembarque. Ao habilitar Santos para receber navios de 366 metros, o Porto se capacita para ser o hub da Costa leste da América e concentrar as linhas feeders e de cabotagem. Para isso vai contribuir o PCPS. Ele vai otimizar os procedimentos de segurança, padronizando o atendimento a emergências.

Em relação aos novos terminais, como está sendo feito o planejamento?

Estamos fazendo a modelagem dos novos terminais, em conjunto com a Empresa Brasileira de Logística (EPL) e a Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários (SNTPA, do Ministério da Infraestrutura). São áreas que estão sendo preparadas para os próximos arrendamentos, como no caso de STS 14 e STS 14A, que vão movimentar celulose; e a STS 08, para granéis líquidos, uma área de quase 500 mil metros quadrados. Outras áreas estão sendo estudadas e o planejamento está sendo feito para permitir a expansão do Porto. A meta é deixar o complexo santista pronto para a desestatização, quando for definido o modelo da participação privada na administração portuária.

No ano passado, a Brasil Terminal Portuário (BTP) realizou seu primeiro hackathon, o BTP Code, e a Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), um outro. Tais iniciativas destacaram a importância de explorar novas tecnologias e pesquisas. Hoje, o que a Codesp está fazendo neste sentido? 

A Santos Port Authority foi parceira da Abtra na realização do seu hackathon, que aconteceu em dezembro, e também da Fundação Parque Tecnológico de Santos, no hackthon Desafio Startup Cidadã, realizado em outubro. Neste sentido, a SPA está empenhada em incentivar o desenvolvimento de tecnologias que auxiliem a produtividade e fomentem a digitalização dos processos. A SPA vai propor, em conjunto com os terminais, a criação de um hub de inovação para desenvolver soluções de inovação Portuária. A Autoridade Portuária entende que também tem a responsabilidade de promover essa renovação dos conhecimentos e habilidades do portuário, tanto que promoveu dois workshops sobre empregabilidade portuária no ano passado, voltadas ao trabalhador, e um voltado para os empregadores e recrutadores. 

E quais os planos para o Cenep?

A Fundação Centro de Excelência Portuária de Santos (Cenep) vai ao encontro da necessidade de modernizar a mão de obra do Porto de Santos. A fundação tem, em 2020, a meta de capacitar 3 mil pessoas, com um modelo de ensino alinhado às demandas atuais, mas principalmente, às futuras, utilizando-se de recursos tecnológicos e laboratórios e em parceria com as instituições locais e internacionais, em cursos abertos ou exclusivos e atendimento customizado às empresas portuárias, taylor-made.

Quais os planos para a retomada das obras das Avenidas Perimetrais?

A Avenida Perimetral portuária, em Santos, ganha prioridade em função da infraestrutura necessária para a implantação da nova concepção ferroviária no trecho Canal 4 - Ponta da Praia. O projeto está sendo revisto, levando em consideração os investimentos feitos pelos terminais que integram o Corredor de Exportação de granéis vegetais e a instalação de terminais para celulose na região. No lado de Guarujá, a implantação da segunda fase da Avenida Perimetral depende da publicação de Decreto de Utilidade Pública para iniciar as desapropriações de áreas. 

Quais as principais intervenções que envolvem a Perimetral do Guarujá?

O projeto foi alvo de estudos de otimização e contempla a segregação do tráfego portuário de cargas, adequação de passeios e ciclovias, instalação de passarelas de pedestres, além da construção de uma ponte sobre a Rodovia Cônego Domênico Rangoni e de viaduto sobre a Avenida Santos Dumont. Estão previstos no orçamento de 2020 da SPA mais de R$ 193 milhões para estes projetos.

Como está a privatização do sistema rodoviário do Porto?

A concessão dos acessos ao Porto está inserida nos estudos de desestatiza-ção. O modelo vai ser definido de acordo com estes estudos.

Como estão as negociações para a renovação do contrato da Portofer? A Santos Port Authority prevê investimentos de R$ 1,5 bi como contrapartida dessa renovação. Mas o TCU está criticando a medida. Como está o caso?

A Portofer tem contrato vigendo até junho de 2025. O mais importante é destacar que, em linha com o Ministério da Infraestrutura, o transporte ferroviário está sendo priorizado no Porto de Santos. Será um conjunto de sete vias férreas ligando a região de Outeirinhos e Macuco à Ponta da Praia, em substituição ao pátio atual que conta com linhas curtas, que demandam grande quantidade de manobras para a acomodação dos trens. No total, serão sete linhas, voltadas para o transporte de granéis vegetais sólidos e de celulose.

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