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Segunda-feira

10 de Agosto de 2020

Porto de Santos vai gerar 21,6 mil empregos diretos nos próximos dez anos

Segundo projeção da Autoridade Portuária, novas vagas surgirão até 2030 a partir de obras e com a operação de futuros terminais

As obras e os terminais planejados para o Porto de Santos nos próximos dez anos vão gerar investimentos de R$ 9,65 bilhões e abrir 21,6 mil empregos diretos no complexo santista nesse período. Dessas vagas, 2.392 devem ser criadas em instalações marítimas, especialmente as especializadas nas movimentações de contêineres e granéis sólidos. Considerando postos de trabalho diretos, indiretos e os de efeito-renda (os criados a partir do consumo dos novos empregados), o total pode chegar a 60.422. 

Esses números integram uma projeção divulgada nessa terça-feira pela Autoridade Portuária de Santos (APS), para A Tribuna, sobre os impactos dos investimentos previstos no novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos – atualmente em análise pelo Governo Federal. 

O PDZ é o documento que reúne as diretrizes definidas por uma Autoridade Portuária para a exploração das áreas do complexo marítimo que administra. Ele tem como base o plano mestre do porto e endereça suas necessidades e as demandas das cidades onde suas instalações se localizam. No caso de Santos, o estudo prevê  o aumento da movimentação de várias cargas e indica a necessidade de ampliação da capacidade de operá-las. 

O estudo santista já considera projetos em desenvolvimento e a futura implantação dos dois terminais de celulose, que serão licitados pelo Governo no próximo semestre, e das duas instalações de granéis líquidos, a serem implantadas na atual área da Transpetro (empresa que cuida da logística da Petrobras), na Alemoa, e que realizou uma audiência pública para debater seu leilão nessa terça-feira. A avaliação da geração de empregos também levou em conta o início da operação de quatro outros terminais na zona portuária e ainda obras nos acessos rodoviários e ferroviários no cais santista. Todos esses empreendimentos devem representar um investimento de R$ 9.657.942 – apenas nas obras dos acessos, serão R$ 2 bilhões.

Para viabilizar parte dessas iniciativas, contratos de terminais não serão renovados e áreas do Porto passarão a operar novas cargas. Este cenário levou o PDZ a receber algumas críticas, especialmente por vagas fechadas nas empresas afetadas.

Mas os dados da projeção divulgados ontem mostram que, em uma análise global, o plano vai gerar postos de trabalho, destacou o diretor-presidente da APS, Fernando Biral, em entrevista a A Tribuna. “Esses investimentos e esses postos de trabalhos serão criados devido a empreendimentos previstos já nos próximos anos, até 2030. Teremos empregos em obras de novos terminais, em obras dos acessos rodo-ferroviários e, depois, na própria operação dos novos terminais”, declarou. 

Segundo o executivo, essas projeções têm bases “sólidas”, como o previsto aumento de movimentação de contêineres, granéis sólidos e carga geral (celulose) no complexo santista, além das obras necessárias para garantir o escoamento dessas cargas, como a ampliação, a modernização ou a construção de terminais e a implantação de novos acessos rodoviários e ferroviários.

Conforme a projeção anunciada pela APS, o número de empregos diretos no Porto sairá dos atuais 16.079 para 18.471 em 2030, um aumento de 15%. Essa quantidade reúne empregados de terminais, da APS e da Portofer (empresa que explora o transporte ferroviário na área do cais), além dos trabalhadores portuários avulsos (TPA, como estivadores e conferentes).

Atualmente, o PDZ do Porto de Santos está em análise na Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, do Ministério da Infraestrutura, para aprovação. Segundo a diretoria da APS, o resultado dessa avaliação deve ser anunciado “nas próximas semanas”.

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