Porto de Santos recebe dez vezes mais nitrato de amônio que Beirute, diz OAB

Entidade enviou ofícios a autoridades federais alertando sobre o volume de carga perigosa no cais santista. Polo de Cubatão também tem estoque com o produto, usado para fabricar fertilizantes

A subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santos enviou ofícios a autoridades federais para alertar sobre o transporte e armazenamento de nitrato de amônio no cais santista. Segundo o órgão, chegam por navios ao Porto de Santos até 30 mil toneladas do material. A quantidade é até dez vezes maior do que o volume que provocou a explosão no porto de Beirute, no Líbano, na última terça-feira (4).

 

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O presidente da OAB-Santos, Rodrigo Julião, solicitou com urgência resposta da Presidência da República, do Ministério Público Federal, Ministério da Defesa e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Este último irá rastrear cargas perigosas no Porto de Santos a partir desta segunda (10). Empresas do Polo de Cubatão importam esse produto, que é matéria-prima de fertilizantes.

"O grau de perigo é tal que o Exército acompanha o transporte e o armazenamento", afirma Julião. "Infelizmente, os desembarques de navios que transportam esse produto não vem sendo fiscalizados pelos órgãos públicos competentes".

Em Beirute, capital do Líbano, foram encontradas 2.750 toneladas de nitrato de amônio, produto químico utilizado na produção de fertilizantes, inseticidas e explosivos. A explosão, que aconteceu na última terça (4), deixou mais de 100 mortos e 4 mil feridos.

A carga libanesa foi comparada a 20% do poder de destruição da bomba de Hiroshima, no fim da Segunda Guerra Mundial. "Se recebemos 30 mil toneladas a cada navio, significa que desafiamos a sorte permanecendo sobre duas bombas atômicas", alerta Julião.

 

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