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Sábado

4 de Abril de 2020

Maioria aprova ponte e plano do Estado, diz IPAT

Pesquisa encomendada pela Prefeitura de Santos mostra que 64,9% são favoráveis. Secretário estadual de Logística e Transportes aponta viabilidade do projeto

Levantamento do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT) mostra que 64,9% dos santistas aprovam o projeto de construção de uma ponte ligando as margens do Porto de Santos. A maioria destes afirma que a obra é importante e já se passou muito tempo com a discussão de projetos. 

Encomendada pela Prefeitura de Santos, a pesquisa ouviu 800 pessoas por zonas geográficas e cotas proporcionais ao número de moradores dos bairros santistas. As entrevistas foram feitas em 30 e 31 de outubro, e o intervalo de confiança é de 95%, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. 

Os dados mostram que 93,5% dos entrevistados já ouviram falar de algum projeto de ligação entre Santos e Guarujá nos últimos anos. Apenas 6,5% disseram desconhecer propostas com essa finalidade. 

Para os que já ouviram falar de algum projeto, 70,6% acreditam que a concretização de uma obra do tipo é muito importante. Outros 22,3% a consideram importante; 4,4%, como de pouca ou sem importância; 2,7% não souberam ou não responderam. 

Ponte

O IPAT também perguntou aos entrevistados o que eles achavam da proposta do Governo do Estado para que a Ecovias construa uma ponte para ligar as duas margens do canal. Na pergunta, foi explicado que se prevê prazo de construção de três anos e, como contrapartida, a extensão do contrato de concessão que ela já tem para continuar operando no Sistema Anchieta-Imigrantes. 

A ideia é aprovada por 64,9% dos entrevistados, ante 21,3% contrários. Entre aqueles que acreditam que essa seja uma boa proposta, 38,7% alegam que a obra é muito importante e muito tempo já se passou com a discussão de projetos. Outros 17,7% aprovam porque a obra não será paga com dinheiro público. 

Para 14,6%, no entanto, o principal motivo para aprovar a ponte entre Santos e Guarujá é que ela é mais barata que a construção de um túnel, e 11,7% argumentam que o traçado proposto vai permitir a ocupação da Área Continental de Santos. Outros 9,5% aprovam o projeto porque é urgente acabar com as filas das balsas; 7%, porque a ponte é a melhor solução, e 0,8% apontou outros motivos. 

Entre os principais argumentos dos que não aprovam a construção da ponte, estão a ideia de a obra não ser feita pelo Poder Público (26,2%), pensar que o assunto precisa ser mais bem discutido (24,1%), desaprovar o aumento do prazo de concessão para a Ecovias (15,9%), não concordar com o traçado proposto (10,8%) ou achar o projeto do túnel tecnicamente melhor que o da ponte (9,7%).

“Projeto cabe no contrato”, diz secretário

“A pesquisa mostra que o Governo acertou ao trazer esse projeto.” É assim que o secretário estadual de Logística e Transportes, Octaviano Machado Neto, avalia os resultados da pesquisa IPAT. Além da aceitação dos santistas, o mais importante, na visão do secretário, é a viabilidade do projeto. 

“Ele cabe no contrato de concessão e não vai depender de recursos públicos. A concessionária também terá todas as condições de colocá-lo em prática.” 

O secretário afirma, ainda, que o projeto foi submetido a testes de diversos órgãos. Ele destaca um estudo realizado por uma equipe do Tanque de Provas Numérico (TPN), um dos laboratórios da Escola Politécnica da USP, que atestou a viabilidade da obra e a garantia da navegação pelo canal do Porto.

“É um projeto que vai permitir o deslocamento da população, sobretudo como alternativa às balsas, que têm problemas por causa da maré e do Porto. É um apoio à mobilidade urbana.” 

Para o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), a população tem uma expectativa grande em relação a uma obra de ligação seca entre o Município e Guarujá e entende que esse assunto foi muito discutido, sem uma definição.

“Hoje, temos uma única proposta concreta com viabilidade técnica, ambiental e econômica, que é a da ponte. Sem essa viabilidade, é mais um sonho de uma noite de verão. Por isso, nós apoiamos a proposta da ponte. Não podemos ficar mais 100 anos discutindo”, pensa.

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