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Sexta-feira

17 de Janeiro de 2020

Maersk investirá US$ 2 bi para tornar navios menos poluentes

Medida é exigida pela IMO, que obriga os armadores a preparar suas embarcações para poluírem menos

Para atender às novas normas da Organização Marítima Internacional (IMO), a armadora Maersk, líder mundial no transporte de contêineres, pretende investir US$ 2 bilhões. O valor será utilizado na adequação da frota da armadora, com a colocação de filtros especiais, e na aquisição de um novo tipo de combustível, menos poluente.

 A IMO impõe que, a partir de 1º de janeiro de 2020, os navios utilizem combustível com um teor de enxofre de até 0,5%. Hoje, as embarcações utilizam um composto com 3,5%. Estão previstas sanções aos armadores que descumprirem a regra.

Segundo ambientalistas e autoridades, a poluição oferece riscos à população que vive em regiões costeiras de todo mundo. A adoção de combustíveis com baixo teor de enxofre – e, assim, menos poluentes – pode evitar 134 mil mortes prematuras na Ásia, 32 mil na África e 20 mil na América Latina, pelos problemas causados à saúde por conta da emissão de gases nocivos.

Foi cogitado adiar a redução do teor até 2025, o que traria sérios impactos para a saúde humana, segundo estudos americanos e finlandeses. De acordo com eles, em cinco anos, cercade200milmortesprematuras poderiam ser causadas devido às doenças provocadas pelo produto, como câncer de pulmão e problemas cardíacos, principalmente nas comunidades costeiras no mundo em desenvolvimento.

A estimativa é que todo o setor da navegação desembolse cerca de US$ 15 bilhões na adequação da frota.

A Maersk avaliou três possibilidades de investimentos para garantir o atendimento às normas IMO, disse o diretor da Safmarine para a Costa Leste da América do Sul, Denis Freitas. A primeira delas é utilizar um combustível novo em todas as embarcações da armadora.

“O problema é que, de fato, não existe esse combustível no mercado. As empresas tentam desenvolver mas não conseguem atender a demanda necessária”, afirmou o executivo.

Por conta disso, a Maersk estudou uma forma complementar de garantir a redução da emissão de poluentes. Trata-se da instalação de filtros purificadores em embarcações. Porém, também não há equipamentos suficientes no mercado. Nesta frente, serão investidos cerca de US$ 80 milhões.

De acordo com o diretor principal da Maersk Line para a Costa Leste da América do Sul, Antonio Dominguez, ainda não há uma definição de quantos filtros serão instalados. Tudo depende do porte e da autonomia das embarcações que receberão a nova tecnologia.

Já a terceira alternativa estudada pela armadora foi utilizar gás natural em todas as 700 embarcações da frota. Para isso, seria necessário parar todos os navios por um período até que as adequações fossem feitas nos sistemas de navegação. A medida tornou-se inviável diante do alto investimento.

Renovação de frota

Segundo o diretor da Safmarine, Denis Freitas, no ano passado, a Maersk conseguiu uma redução de 43% nas emissões de CO2, graças a investimentos em renovação da frota. A expectativa é de que, até 2020, a redução chegue a 60%.

“Com a redução do enxofre, vai haver uma melhora nas condições do meio ambiente. Muito enxofre causa problemas respiratórios em pessoas que vivem em locais próximos à costa. Vemos com bons olhos essa adequação”, explicou o executivo.

Agora, segundo Dominguez, a Maersk iniciou o plano de divulgação das novas medidas com os clientes da armadora.

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