Governo irá obrigar escala eletrônica de trabalhadores portuários avulsos

Informação foi divulgada pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, em live realizada neste sábado

O Governo Federal vai obrigar a escala eletrônica entre os trabalhadores portuários avulsos nos portos e permitir, se necessário, a quebra da exclusividade desses trabalhadores nas operações portuários. Essa segunda ação tem como objetivo proteger o setor diante da ameaça de "algumas categorias" de fazer "movimentos" neste momento, afirmou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, em live realizada na tarde deste sábado (28).

Participaram da transmissão, além de Tarcísio, o diretor-presidente da Santos Brasil, Antônio Carlos Sepulveda, o CEO do Grupo Cosan, Marcos Lutz, e Tayguara Helou, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região (SETCESP) e fundador e diretor de Desenvolvimento e Novos Negócios do grupo Braspress.

Entre outras ações, o ministro destacou:

  • Planos de investimentos privados no setor continuam. Ele citou, por exemplo, os R$ 6 bilhões da Rumo Logística (Grupo Cosan) na malha ferroviária paulista, facilitando o transporte desse modal até o Porto de Santos.
  • Projetos continuam em desenvolvimento no Ministério, caso dos estudos da privatização da Autoridade Portuária de Santos.
  • Trabalhador portuário será vacinado logo após os idosos e os profissionais de saúde

Portos seguem em operação

Portos estão funcionando normalmente, afirmou Antônio Carlos Sepulveda. A empresa, que opera terminais nos portos de Santos (em Guarujá) e Vila do Conde (Pará) e tem 3 mil funcionários, colocou de imediato 500 em home office. Nesta semana, também reduziu a densidade dos locais de trabalho e passou a testar a temperatura dos funcionários.

"Trabalhamos com higiene, distanciamento, teste e afastamento. Essa é a estrutura que estamos adotando para preparar a empresa para longo prazo", afirmou Sepúlveda. Segundo ele, não haverá solução "em um mês. Brasil tem que se preparar para isso".

Sobre a operação do Porto de Santos, o executivo afirmou que o complexo deve registrar um aumento de 20% em suas operações de contêiner no primeiro trimestre.

Sepúlveda ainda afirmou que, entre este e o próximo mês, 16 escalas de navios vindos da China foram canceladas. Mas para maio, a situação se normalizou. A China está voltando à atividade.

Sepúlveda ainda defendeu a proposta do prefeito de Guarujá, Valter Sulman, de controlar os acessos e "isolar" Guarujá. E defendeu a mesma medida para as demais cidades portuárias, para proteger os funcionários dos portos. "Não adianta nada termos os melhores procedimentos se não tivermos gente", afirmou.

O CEO do Grupo Cosan discordou da proposta de "isolar" as cidades portuárias. "Não acredito que seja possível", disse

Investimentos

Ainda de acordo com o ministro, investidores mantêm o interesse nos projetos de infraestrutura do Brasil. "Daqueles investidores com quem nós conversamos, eles estão dentro. Só pediram mais tempo para se preparar (devido à pandemia", afirmou a autoridade. E complementou: "nesse cenário em que houve uma desaceleração maior e uma redução ainda maior nas taxas de juros, investir nos ativos é ainda mais interessante. Temos tudo para continuar avançando nesse pós-crise. A Infraestrutura vai ser um  braço da recuperação (do País)".

De acordo com Tarcísio, o ministério foi dividido em dois: um para manter a estruturação de projetos e outro para cuidar dos impactos da crise da pandemia.

Marcos Lutz, destacou que essa crise não é de longo prazo. "O mundo vai olhar para o final dessa crise com um juros ainda menor e não verá projetos. E haverá a carteira (de projetos) do ministro. O Ministério da Infraestrutura será muito importante para a revitalização econômica do País".

Sepulveda afirmou que está preocupado é com a falta de funcionários para manter as operações dos terminais. Ao comentar sobre investimentos, disse que o projeto de modernização do Terminal de Contêineres (Tecon), do Porto de Santosl, será mantido. "A logística tem que vir antes da demanda". E comentou que as medidas de incentivo do Governo vão amenizar "a recessão que teremos depois" da pandemia.

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